Discurso de Paes após eleito marcou posição contra bolsonarismo, diz especialista

Discurso de Eduardo Paes (DEM) após ser eleito prefeito do Rio de Janeiro, embora não tenha citado Bolsonaro diretamente, marcou posição contra bolsonarismo, disse cientista política à Sputnik Brasil

Ex-prefeito do Rio Eduardo Paes
Ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (Foto: Agência Brasil)
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Sputnik - O ex-prefeito da capital fluminense obteve 64,07% dos votos válidos (1.629.319), enquanto Marcelo Crivella (Republicanos) ficou com 35,93% (913.700) e não conseguiu se reeleger. 

Para a cientista política Alessandra Maia Terra de Faria, o Rio de Janeiro ainda vive uma "sensação de ressaca muito forte" com a eleição de 2018. "A cidade, infelizmente, tornou-se o berço do bolsonarismo, um entremeado de milícia com uma tentativa muito forte de setores religiosos, como o grupo de Crivella, de usar a religião para convencer seus fiéis a votarem naquilo que seus líderes recomendam", disse.

Nesse sentido, ela avalia que, com a vitória de Paes, o "Rio vence uma etapa importante". Segundo a professora da PUC-Rio e da UFFRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), em seus discurso após ser declarado eleito, feito ao lado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o ex-prefeito "marcou uma posição contra o bolsonarismo".  

"Ainda que não tenha falado explicitamente do presidente, ele buscou se identificar como algo que vai no sentido oposto da negação da política que o Crivella e o presidente Jair Bolsonaro representam", opinou. 

"Foi uma vitória da política", disse Paes em seu pronunciamento. "Passamos os últimos anos radicalizando a política brasileira. O resultado desses quadros de extremos, de muito ódio, de muita divisão, não fez bem a nenhum de nós cariocas e brasileiros", acrescentou. 

Para a especialista, a conquista de Paes, embora não seja uma vitória do campo progressista, "foi um ajuste que mostrou ao bolsonarismo que ele não está com o suporte que já recebeu anteriormente". 

Para a cientista política Clarisse Gurgel, por sua vez, um dado marcante da eleição do Rio de Janeiro foi a alta abstenção, que, no segundo turno, alcançou 35,45%, ou 1.720.154 ausentes, número maior do que a eleição do próprio Eduardo Paes, fenômeno que já tinha ocorrido no primeiro turno. 

"O que traduz a política no Rio é muito menos o voto no Crivella e no Paes e mais a sensação de que não é nenhum dos dois. A eleição indica um desalento muito grande da população. Algo que é muito preocupante, que serve de alimento para para aquilo que vem substituindo a política na cidade, que é a violência direta. Esses votos para o Crivella, principalmente, foram votos por coerção, o antigo voto de cabresto, o coronelismo urbano se expressa hoje pela milícia", lamentou a professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). 

Por outro lado, ela avalia que a eleição de um político do DEM, como Eduardo Paes, era algo previsível após Bolsonaro chegar ao poder, com uma polarização grande no país e um discurso extremista de rejeição à política. 

"Esse voto na tradição já era um prognóstico para as eleições posteriores à vitória do Bolsonaro. Que era o prognóstico do eleitorado ir mais para o centro. Um voto na tradição, que se manifestou, evidentemente, em um voto no DEM e no PSDB, por exemplo", afirmou Gurgel.

Apoiado por Bolsonaro, no primeiro turno Crivella chegou a ficar em empate técnico com outros candidatos, como Martha Rocha (PDT), mas o prefeito conseguiu ir para a segunda etapa. Na fase decisiva, a esperada transferência de votos não ocorreu.

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