Durante a pandemia, frigoríficos dobram lucro, mas não adotam medidas de combate ao coronavírus

De acordo com o presidente da Contac-CUT, Nelson Morelli, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) ignorou as reivindicações por segurança do movimento sindical. Lucro líquido da JBS chegou a R$ 3,38 bilhões no segundo trimestre deste ano

Funcionários no frigorífico da BRF em Marau, no Rio Grande do Sul.
Funcionários no frigorífico da BRF em Marau, no Rio Grande do Sul. (Foto: MPT-RS/Divulgação)
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Brasil de Fato - A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) se reuniu virtualmente nessa quarta-feira (9) com representantes da Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação da CUT (Contac-CUT) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação e Afins (CNTA) para debater propostas das entidades relacionadas às medidas de prevenção e controle da covid-19 em frigoríficos. 

De acordo com o presidente da Contac-CUT, Nelson Morelli, a associação ignorou as reivindicações do movimento sindical. 

O dirigente também relata que a Campanha “A Carne Mais Barata dos Frigoríficos é a do Trabalhador”, lançada em agosto pelas confederações, em parceria com a Regional Latinoamericana da União Internacional do Trabalhadores da Alimentação (Rel-Uita), foi tratada com indiferença pelos representantes da ABPA.

O presidente da ABPA, Ricardo Santin, chegou a afirmar que as empresas cumprem atualmente as determinações legais contidas na Portaria Interministerial nº 19, de 2020, que inclui, entre outras medidas, o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), o afastamento precoce de trabalhadores com sintomas de covid-19 e a higienização constante dos ambientes de trabalho.

Mas o secretário-geral da Contac-CUT, José Modelski Júnior, lembra que a portaria lançada pelos ministérios da Agricultura, Economia e Saúde, em junho deste ano, foi motivo de contestação não apenas das confederações e sindicatos, mas do Ministério Público do Trabalho (MPT), consultado apenas duas vezes antes da publicação pelo governo federal. 

“Nossa campanha busca de uma vez por todas medidas práticas que acabem com o problema das aglomerações nos frigoríficos, além de cobrar o aumento da testagem como medida preventiva para evitar contaminações. Seguimos também cobrando o uso de EPI’s, principalmente das máscaras faciais já que sabemos que funcionários de grandes empresas como a JBS são obrigados a reutilizar máscaras molhadas por até cinco dias seguidos, situação que tem sido fruto de intensos debates”, explica.

Para o secretário de Comunicação da Contac-CUT, Siderlei de Oliveira, não é novidade a postura adotada pela ABPA. “É preciso que o diálogo com as entidades sindicais seja feito com associações que tenham poder de mudança. Estamos falando da vida dos trabalhadores que estão em risco, especialmente se tratando da JBS. A impressão é que eles estão levando a vida de milhares de trabalhadores na brincadeira. Vidas que não têm preço”, critica.

Presidente da Contac-CUT, Nelson Morelli também aponta que o lucro líquido da JBS chegou a R$ 3,38 bilhões no segundo trimestre deste ano.

“Como é possível uma empresa como a JBS, que foi a primeira a passar a Petrobras em receita num único trimestre, seguir com posturas intransigentes, arrogantes e desrespeitosas desta maneira? Entendemos que a produção no Brasil é importante, mas isso não pode acontecer às custas de exploração e sacrifício dos trabalhadores”, explica o dirigente. 

Sem avanços na reunião com a ABPA, as confederações afirmaram que irão intensificar sua campanha não apenas no Brasil como em outros países do mundo, especialmente junto às nações consumidoras, para falar sobre a produção dos alimentos exportados pelo Brasil.  Também não está descartada a possibilidade de greve no país.

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