"É claro que há mensagens verdadeiras", admite Dallagnol

“É claro que essa pessoa [responsável pelos vazamentos] tem coisas verdadeiras lá, mas nós podemos reconhecer a autenticidade de um material, especialmente quando ele não bate com a realidade”, disse o procurador Deltan Dallagnol em entrevista à rádio CBN.

Paraná Pesquisas constata lava jato em baixa
Paraná Pesquisas constata lava jato em baixa (Foto: Foto: Vladimir Platonow/Agência Brasil)

247 - Diferentemente do que diz há mais de uma mês, o procurador da República Deltan Dallagnol admitiu que "parte" do conteúdo das mensagens reveladas pelo The Intercept Brasil são verdadeiras. No entanto, disse que não pode provar que os supostos trechos que são falsos porque apagou todo o histórico de conversas do aplicativo Telegram. 

Sem citar quando surgiu esta suposta ordem, Dallagnol afirma que “por recomendação institucional nós encerramos os aplicativos e isso apagou as mensagens no celular e na nuvem". 

Ele diz que lembra "sim, de assuntos que comentamos, mas estamos falando de cinco anos altamente intensos com centenas de milhares de mensagens", e por isso, "é impossível lembrar de detalhes”. Mas apesar de dizer que não se lembra, Dallagnol citou alguns exemplos que, para ele, indicam a possibilidade de adulterações.

“Esses diálogos falam de uma denúncia contra venezuelanos que nunca aconteceu; falam de uma busca e apreensão contra [o senador] Jaques Wagner que nunca existiu; falam de uma testemunha supostamente apontada [pelo ex-juiz Sergio Moro] que nunca apareceu em lugar nenhum; falam da destinação de dinheiro pela [13.ª] Vara Federal para fins publicitários que nunca aconteceu… ou seja, tem uma série de coisas ali que não bate com a realidade comprovada”, listou. 

Em outro momento da entrevista, Dallagnol cai novamente em contradição ao confirmar que trocava mensagens com o ex-juiz Sergio Moro, mas afirma que as conversas eram dentro dos limites da ética e da legalidade. 

“Tive sim conversas. Qual é o limite ético dessas conversas? O limite ético é a Justiça. É o limite da busca da verdade e dos valores da Justiça: eficiência, celeridade, e assim por diante. Isso é regular, isso é lícito", disse ele, afirmando que as reportagens que revelaram os diálogos foram apresentadas "com sensacionalismo como se fosse algo ilegítimo quando não é”.

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