"É como se Fernando tivesse sido morto outra vez", diz Marcelo Santa Cruz sobre ataque de Bolsonaro

"Bolsonaro tem informações que a família não teve, nem a Comissão da Verdade, que são informações dos porões da ditadura", afirmou o advogado e ex-vereador Marcelo Santa Cruz, irmão de Fernando Santa Cruz, desaparecido desde a ditadura militar

247 - "É como se Fernando tivesse sido morto outra vez", disse o advogado e ex-vereador Marcelo Santa Cruz, ao comentar os ataques de Jair Bolsonaro contra a memoória de seu irmão, Fernando Santa Cruz, desaparecido desde a ditadura militar.

“Fernando era um jovem de 26 anos quando foi preso. Fernando tinha uma militância política, era da Ação Popular, mas tinha vida legal, não era clandestino”, rebateu Marcelo, em coletiva de imprensa.

“Vamos interpelar o presidente da República no STF. Queremos reabir o caso Fenando, é preciso que a OEA retome o caso Fernando e faça justiça”, enfatizou.

Marcelo reafirmou que a família quer cobra o esclarecimento do caso do desaparecimento do irmão e pede a Corte Interamericana de Direitos Humanos, ligada à OEA (Organização dos Estados Americanos), que o caso seja reaberto.

"O governo brasileiro prestou várias informações à Corte negando a prisão e o sequestro de Fernando. [...] A Corte deu o caso por encerrado. Agora, com a declaração do presidente Jair Bolsonaro, é o caso de reabrir o caso porque ele deu uma nova informação", afirmou.

"Ele [Bolsonaro] tem informações que a família não teve, nem a Comissão da Verdade, que são informações dos porões da ditadura", acrescentou.

Para fugir de responder sobre a desistência de recorrer da deccisão judicial que considerou Adélio Bispo inimputável, Bolsonaro atacou o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, e se referiu ao desaparecimento de Fernando.

"Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados [de Adélio]? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB?", questionou Bolsonaro. Em seguida disse que "se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto para ele. Ele não vai querer ouvir a verdade".

Em uma live nas redes, Bolsonaro disse: "Não é a minha versão, é a que a minha vivência me fez chegar a essas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco, tá ok? E veio a desaparecer no Rio de Janeiro".

E continuou: "De onde eu obtive essas informações? Com quem eu conversei na época, oras bolas. Não foram os militares que mataram ele, não, tá? É muito fácil culpar os militares por tudo o que acontece".

Documentos oficiais desmetem a versão de Bolsonaro. 

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