Economista da FGV diz que desemprego é o principal fator da concentração de renda

Um estudo divulgado na última quinta-feira (15) pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que a desigualdade social no Brasil cresceu nos últimos 17 trimestres, equivalente a aproximadamente 4 anos

(Foto: Sputnik/Solon)

Sputnik - Um estudo divulgado na última quinta-feira (15) pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que a desigualdade social no Brasil cresceu nos últimos 17 trimestres, equivalente a aproximadamente 4 anos. O levantamento intitulado “A Escalada da Desigualdade” mostra que esse é o mais longo período de aumento de desigualdade desde o início da série histórica.  

Em entrevista à Sputnik Brasil, o economista da FGV Social Marcelo Neri, responsável pela pesquisa, disse que o desemprego é o principal contribuidor do aumento do crescimento da concentração de renda.  "Como esse dado mede a renda do trabalho das pessoas, formal ou informal, de pessoas ocupadas ou desocupadas, de todos os membros do domicílio, o desemprego que aumentou muito nesse período foi o principal causador", disse.  

A pesquisa mostra que o número de pobres cresceu no país e chegou a 23,3 milhões em 2017, dado mais recente. Elas representam a faixa dos indivíduos que vivem com menos de R$ 233 por mês.  

Segundo Marcelo Neri, é justamente a faixa mais pobre da população brasileira que sente mais as consequências do aumento da concentração de renda.  "Não só porque eles são aqueles que têm já na fotografia uma pior condição de vida, então, portanto, aqueles que deveriam pesar mais na nossa análise, mas foi onde a renda piorou mais", afirmou.  

A renda do trabalho dos brasileiros com idade entre 20 e 24 anos encolheu 17% entre o quarto trimestre de 2014 e o segundo trimestre de 2019, diz o estudo.  

Neri diz que o Brasil falhou na proteção da população mais pobre durante a crise econômica e ajudou a aumentar a concentração de renda.  

"Talvez o Brasil não tenha sido capaz de alcançar redes de proteção social para proteger a população contra essa crise de desemprego, apesar de dispormos de uma certa estrutura como Cadastro Social Único, Bolsa-Família, mas na base da distribuição, onde preocupa bastante é onde as perdas foram mais fortes e onde com pouco de recurso você consegue fazer a diferença na vida das pessoas", disse Marcelo Neri.

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