Eleonora Menicucci: Bolsonaro precisa dizer como foi o assassinato brutal de Fernando Santa Cruz

Presa e torturada durante a Ditadura Militar, a ex-ministra Eleonora Menicucci condenou o ataque de Jair Bolsonaro à memória de Fernando Santa Cruz; "Exijo que Bolsonaro diga perante para a sociedade onde e como foi o brutal assassinato de Fernando, até hoje um dos centenas desaparecidos políticos pela ditadora militar de 1964"

Sem descanso, Eleonora Menicucci enfrenta a treva
Sem descanso, Eleonora Menicucci enfrenta a treva (Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil)

247 - A ex-ministra das Mulheres Eleonora Menicucci repudiou a declaração da ministra Damares Alves, que culpou a violência sexual contra mulheres na Ilha de Marajó pela ausência de calcinhas. 

"É inadmissível que este pensamento retrógrado seja o norte das políticas de enfrentamento às violências contra mulheres", disse Menicucci em nota. 

A ex-ministra, que foi presa e tirturada durante a Ditadura Militar, também se manifestou contra o ataque do presidente Jair Bolsonaro à memória de Fernando Santa Cruz, que foi morto pela Ditadura, e é pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz (leia mais no Brasil 247). 

"Solidarizo com Felipe seu filho e ao mesmo tempo exijo que o Bolsonaro diga perante para a sociedade onde e como foi o brutal assassinato de Fernando, até hoje um dos centenas desaparecidos políticos pela ditadora militar de 1964", disse ela. 

Leia, abaixo a nota de Eleonora Meniccui na íntegra:

Eleonora Menicucci repudia declaração ofensiva de Damares sobre violência sexual contra meninas na Ilha de Marajó

Venho publicamente repudiar, com toda a minha indignação, a declaração da Ministra Damares Alves, que demonstra profundo desrespeito e ignorância ao tentar justificar a causa do estupro e da violência sexual na Ilha do Marajó (PA), dizendo que: “As meninas lá são exploradas porque não têm calcinhas, não usam calcinhas, são muito pobres. Nós temos que levar uma fábrica de calcinhas para a Ilha do Marajó”.

É inadmissível que este pensamento retrógrado seja o norte das políticas de enfrentamento às violências contra mulheres. Pude acompanhar de perto a grave situação na Ilha do Marajó e liderei, enquanto Ministra de Políticas para Mulheres do governo legitimamente eleito de Dilma Rousseff, um dos trabalhos mais importantes no enfrentamento à violência doméstica e sexual às mulheres, sobretudo as meninas na Ilha do Marajó. Em nossos governos os índices de violência e estupro caíram consideravelmente naquela região, pois adotamos uma política séria, eficaz e com resultado: o Programa Mulher, Viver Sem Violência, atendendo de forma inédita mulheres da mata, campo e praias de água doce do Marajó, no Pará. Em parceria com a Caixa Econômica Federal, os barcos-agências faziam o diagnóstico sobre a realidade e as demandas de serviços especializados das ribeirinhas, oferecendo um atendimento digno e eficiente.

Quero reforçar minha solidariedade a estas mulheres que enfrentam, além das violências, o descaso e o desrespeito do atual governo federal.

Me somo às várias vozes que já se manifestaram repudiando a fala do Bolsonaro em relação ao companheiro Fernando Santa Cruz.
Solidarizo com Felipe seu filho e ao mesmo tempo exijo que o Bolsonaro diga perante para a sociedade onde e como foi o brutal assassinato de Fernando, até hoje um dos centenas desaparecidos políticos pela ditadora militar de 1964.

Basta de violência!!!!

O judiciário tem que se posicionar

Eleonora Menicucci

Ex presa política e ex Ministra de Políticas para as Mulheres do gov Dilma Rousseff

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