Em quatro horas, PM mata oito em São Paulo

Na madrugada de quinta, homens encapuzados mataram oito em Osasco; mas a PM também não ficou atrás: oito suspeitos foram mortos por policiais entre a noite de quinta e a madrugada de sexta; onda de violência pressiona governo Alckmin e área de segurança do secretário Antonio Ferreira Pinto

Em quatro horas, PM mata oito em São Paulo
Em quatro horas, PM mata oito em São Paulo (Foto: Folhapress_Divulgação)
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247 – A onda de violência que ocorreu em Osasco na madrugada de quinta-feira, após o jogo do Palmeiras, assustou os paulistanos. Um grupo de homens encapuzados em carros e motos executou nada menos que oito homens na cidade, em locais identificados pela polícia como pontos de tráfico. Entre a noita de quinta e a madrugada de sexta-feira, no entanto, a soma de mortos por parte da Polícia Militar acompanhou a barbárie ocorrida no município. Oito suspeitos foram executados num período de quatro horas, sendo um deles no município de Itapevi, na Grande São Paulo, e os outros sete em bairros da capital.

Os motivos usados pela PM foram similiares em quase todos eles: suspeita de roubo de carro. Com exceção de um, que a suspeita era de ter participado de um ataque à base da PM (foto que ilustra essa reportagem). O caos na capital paulista, iniciado após uma operação da Rota ter deixado morto um líder do PCC – Primeiro Comando da Capital –, coloca em xeque a estratégia de segurança usada pelo secretário Antonio Ferreira Pinto, que insiste em negar o envolvimento da facção criminosa nos assassinatos, e o governo do Estado de Geraldo Alckmin, que não toma providênicas drásticas sobre o problema.

Leia no site do jornal Folha de S.Paulo e abaixo reportagem sobre as mortes dos oitos suspeitos:

Em apenas quatro horas, polícia mata 8 suspeitos na Grande SP

Número de mortes foi bem superior à média diária registrada entre janeiro e maio deste ano, de 1,7

Em todos os casos, os PMs dizem ter suspeitado de veículos e dado ordem para parar antes do tiroteio

ANDRÉ CARAMANTE
DE SÃO PAULO

A onda de violência iniciada há um mês na Grande São Paulo, quando policiais militares de folga passaram a ser alvo de atentados e mortos, teve um novo capítulo entre a noite de quinta e a madrugada de ontem: em quatro horas, oito suspeitos foram mortos por PMs em seis ocorrências.

Em todos os casos, a versão dos policiais para as mortes é a mesma: eles faziam patrulhamento, desconfiaram de veículos, deram ordem de parada e houve fuga, perseguição e tiroteio.

Em nenhuma das seis ocorrências, duas delas envolvendo a Rota, PMs se feriram.

Um dos mortos é suspeito de ter atirado contra uma base fixa da PM em Parelheiros, bairro da zona sul paulistana.

O saldo das mortes em quatro horas ficou bem acima da média diária registrada entre janeiro e maio deste ano no Estado, segundo a Corregedoria da PM -1,7 ao dia.

A letalidade policial no mesmo período, neste ano, subiu 4,5% em relação ao ano passado: 268 mortos contra 256 em 2011.

"Existe omissão por parte dos responsáveis pela Segurança Pública em São Paulo. Por isso, é difícil responder ao certo o que acontece atualmente. Mas é certo que a polícia está matando mais e isso pode indicar uma falta de controle dentro da PM. Estamos em um período do tudo pode", disse Guaracy Mingardi, pesquisador da FGV e ex-diretor da Secretaria Nacional de Segurança Pública.

A recente onda de violência em São Paulo começou há um mês, após a morte de sete PMs na segunda quinzena de junho, todos de folga e em crimes com características de homicídios encomendados.

No período, 15 ônibus foram incendiados e cinco bases da Polícia Militar, atacadas.

Setores de inteligência das polícias investigam se mortes de PMs e de civis na Grande São Paulo, desde o mês passado, são consequência de uma guerra entre quadrilhas de traficantes, de policiais militares ou se foram encomendadas por integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Na madrugada de quinta, seis homens encapuzados mataram oito pessoas em Osasco, também na Grande São Paulo. Nesse caso, a polícia trabalha com várias hipóteses -desde briga entre traficantes até o envolvimento de PMs.

 

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