Enquanto o País arde em chamas, Salles passa 4 vezes mais dias de trabalho em SP do que no Pantanal e na Amazônia

O ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) passou quatro dias em São Paulo para cada dia em uma área afetada por queimadas ou desmatamentos. Desmatamento mancha a imagem do País no exterior, que já ameaçou boicote na área econômica

Gestão ambiental do ministro Ricardo Salles aumenta o risco de boicote a produtos brasileiros
Gestão ambiental do ministro Ricardo Salles aumenta o risco de boicote a produtos brasileiros (Foto: PR / Reuters)
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247 - Mesmo como o Brasil pressionado internacionalmente por conta do desmatamento e sofrendo riscos de boicotes por parte de investidores, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, passou mais dias em compromissos de trabalho em São Paulo do que em todas as outras viagens feitas este ano. Até setembro, o titular da pasta esteve em eventos e reuniões na capital paulista pelo menos em 25 dias. Ou seja, Salles passou quatro dias em São Paulo para cada dia em uma área afetada por queimadas ou desmatamentos, de acordo com levantamento publicado pelo jornal Folha de S.Paulo

Na região da Amazônia, onde desmatamento cresceu 34% de agosto de 2019 a julho de 2020, o ministrou ficou apenas por quatro dias. No Pantanal, as chamas já consumiram 21% do Pantanal deste o começo do ano, Salles passou outros dois dias. Os percentuais são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O levantamento foi feito de acordo com a agenda disponibilizada no site do Ministério do Meio Ambiente e levou em conta somente os compromissos oficiais. Não foram consideradas viagens pessoais - o ministro é natural de São Paulo.

As críticas à gestão dele na pasta aumentaram a partir do segundo trimestre deste ano, após a divulgação de conteúdo de um vídeo da reunião ministerial que aconteceu no dia 22 de abril, quando Salles sugeriu que o governo deveria aproveitar a atenção da imprensa voltada à pandemia de Covid-19 para aprovar "reformas infralegais de desregulamentação e simplificação" na área do meio ambiente e "ir passando a boiada".

Um levantamento publicado em julho pela Folha  em parceria com o Instituto Talanoa mostrou que, entre março e maio deste ano, o governo publicou 195 atos no Diário sobre o meio ambiente. Nos mesmos meses de 2019, foram apenas 16 atos publicados relacionados ao tema, um aumento de 12 vezes.

A mais recente crítica à polícia de Salles veio da Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Meio Ambiente (Ascema), que emitiu uma nota de repúdio à possível fusão do Instituto Chico Mendes (ICMBio) e o Ibama. De acordo com a Ascema, "a criação de um Grupo de Trabalho para estudar a extinção do Instituto Chico Mendes e sua incorporação ao Ibama é totalmente inoportuna e problemática". "A estratégia declarada do governo é militarizar a política ambiental, através do decreto de Garantia da Lei e da Ordem".

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