Escolas militarizadas criminalizam infâncias populares, diz sociólogo

Sociólogo e educador, o espanhol Miguel Arroyo avalia que o governo Bolsonaro aposta em discurso de medo para questionar as escolas públicas. "Quais escolas serão militarizadas? Não serão as privadas, mas as públicas", afirma. "Estamos em um momento no qual se busca a criminalização das infâncias e adolescências populares"

Miguel Arroyo
Miguel Arroyo (Foto: Reprodução/Youtube)

247 - Sociólogo e educador, o espanhol Miguel Arroyo avalia que o governo Jair Bolsonaro aposta em discurso de medo, exceção e ameaça para questionar as escolas públicas. A entrevista foi concedida à Carta Capital

"O anúncio do Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares apresentado pelo governo Bolsonaro no início do mês se apoia em duas narrativas principais: a de que, sob gestão dos militares, as escolas conseguirão resolver a questão da violência – motivo pelo qual o plano considera aplicar a militarização em territórios mais vulneráveis – e ainda produzir melhores resultados educacionais, a partir de mais regras e disciplinas no ambiente escolar", afirma.

"Em relação à violência, eu destacaria o seguinte: quais escolas serão militarizadas? Não serão as privadas, mas as públicas, locais que recebem as infâncias populares das favelas, dos campos. Digo isso para que pensemos: que infâncias estão sendo pensadas como violentas? Estamos em um momento no qual se busca a criminalização das infâncias e adolescências populares, bem como dos movimentos sociais de luta por terra, teto, transporte, o que eu chamo de política criminalizante dos pobres. E isso me soa de uma brutalidade assustadora", acrescenta.

De acordo com o estudioso, "não são as infâncias que são violentas. Elas são sim violentadas pela sociedade, pela pobreza, pelas favelas, pelas desigualdades sociais, de raça, gênero e isso chega às escolas". "Mas preferem ocultar isso, a olhar com seriedade. As infâncias são vítimas de violência e respondem da mesma maneira às violações que sofrem".

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