Estamos prestes a viver o maior desafio da nossa geração, diz o socioambientalista Thiago Ávila

Em entrevista à TV 247, ele apresenta oito ações para enfrentar a diversidade atual, de pandemia do coronavírus, e também para a construção de uma sociedade com menos opressões

Socioambientalista Thiago Ávila
Socioambientalista Thiago Ávila (Foto: Apcef/RS)
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Por Carlos Hortman, para o 247 - “Vamos viver o maior desafio histórico da nossa geração”. A previsão é do socioambientalista brasiliense Thiago Ávila, que concedeu no último sábado (28) uma entrevista ao programa Conexão Lisboa, da TV 247. Thiago tem contribuído de forma efetiva no debate público sobre a necessidade de construirmos uma “sociedade do Bem viver” e o ecossocialismo com horizonte último da emancipação humana. Na internet, ele apresenta suas ideias no canal “Bem Vivendo” no YouTube.

A declaração citada acima diz respeito à análise que ele faz sobre a crise econômica capitalista agudizada pela calamidade sanitária que nos atinge em escala global. A partir dessa constatação, ele apresentou de forma propositiva oito ações (relacionadas abaixo) que devemos fazer para que possamos superar toda essa adversidade, bem como a necessidade de construirmos outra sociedade onde a exploração humana/animal, as opressões de gênero, etnia e muitas outras sejam eliminadas de nossa sociabilidade.

Oito ações CONCRETAS para mudar o mundo em tempos de pandemia:

1 - Não se deixe contaminar. Você será FUNDAMENTAL para a reconstrução de um país e de toda uma nova sociedade que precisamos colocar no lugar dessa que naufragou. Não subestime o risco de mortes nessa pandemia.

2 - Denuncie violações que estão acontecendo neste momento com trabalhadores que estão sendo obrigados por grandes empresas a trabalhar se expondo à pandemia em nome do lucro. Fortaleça a página @coronacapitalismo e incentive qualquer trabalhador a se mobilizar contra violações em seus locais de trabalho reivindicando a paralisação de trabalho físico com mudanças para trabalho remoto sem redução de salário, sem férias compulsórias, sem afastamento não-remunerado e, principalmente, sem demissões. No caso de trabalhadores de áreas essenciais ao combate do coronavírus, ainda assim é importante garantir as condições de trabalho dignas e seguras, uma escala de trabalho pactuada com trabalhadores e valorização dessas funções, inclusive no sentido da remuneração digna.

3 - Estruture sua quarentena: preserve sua saúde mental, organize sua forma de alimentação nesse momento, pense planos de contingência caso alguém de sua família seja contaminado, adote práticas saudáveis de prevenção e aproveite para realizar também projetos de autocuidado e realização pessoal.

4 - Se envolva em ações de solidariedade virtual como vaquinhas online, ações diversas com pessoas que precisam de apoio nesse momento. Uma sugestão é o Mutirão do Bem Viver em resposta à pandemia, que compra produção de famílias agricultoras da reforma agrária e distribui esses alimentos agroecológicos para população em situação de rua, pessoas de áreas vulneráveis urbanas ou rurais e territórios indígenas e de povos tradicionais. Priorize iniciativas que estejam conectadas a um horizonte estratégico, como as cozinhas comunitárias e as hortas comunitárias nos territórios como o projeto do Mutirão do Bem Viver. 

5 - Exija do Estado uma saída popular para a crise. O governo deu 1,2 trilhão de reais aos bancos e até o momento não sancionou nenhuma medida concreta para a população. Ao contrário, emitiu medidas provisórias de retirada de direitos e ainda boicotou a política de isolamento incentivando manifestações, participando delas e fazendo pronunciamentos que promovem mortes na pandemia. Por isso todo mundo com sua panela fazendo barulho às 20h todos os dias para exigir o Fora Bolsonaro e que o Estado cumpra sua função nesse momento tão crítico.

6 - Estruture sua sobrevivência para o médio prazo. Repense de onde você obtém seus alimentos. Conheça projetos como as Comunidades Agroecológicas do Bem Viver para acessar alimentos livres de veneno, fruto de agroflorestas que regeneram biomas e que trazem dignidade para famílias agricultoras no campo. Pense também sua forma de sobrevivência, seu acesso a renda e, em casos de necessidades, se aproxime de um círculo de confiança com pessoas mais próximas para ajuda mútua.

7 - Mobilize sua comunidade. Construa ou apoie a construção de ações de serviço social auto-organizado. Coloque a mão na massa para construir cozinhas comunitárias, hortas comunitárias, creches comunitárias, lavanderias comunitárias e várias outras formas de encontrar a partir da comunidade soluções concretas para problemas concretos. Lembre-se de experiências inspiradoras como os Panteras Negras nos Estados Unidos, o Partido Social Democrata Alemão na época de Rosa Luxemburgo ou até as Comunidades Eclesiais de Base do Brasil na década de 80. A partir de uma mentalidade servidora é possível se conectar às pessoas e semear as relações de confiança necessárias para uma ação transformadora futura.

8 - Se organizem! Nenhuma transformação de grandes proporções é possível a partir de uma ação individual, embora elas ainda sejam importantes no sentido pedagógico e de exemplo. Mas busque organizações políticas, coletivos, movimentos, partidos, sindicatos, associações e qualquer outra forma de somar forças. Teremos uma imensa batalha para construir uma saída popular para a crise e, após ela, lutar por justiça e reparação ao povo trabalhador e para a construção de uma nova sociedade livre da exploração, livre de todas as opressões e livre da destruição do planeta, ou seja, uma sociedade do Bem Viver!

Inscreva-se na TV 247 e assista à íntegra da entrevista:

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