‘Examinar organização criminosa sequer era função dos procuradores’

Em entrevista ao portal Sputnik Brasil, o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Lula, reafirma, sobre a denúncia apresentada pela força-tarefa da Lava Jato, que "sequer era atribuição destes procuradores examinar a questão da organização criminosa, assim como ela não era objeto da denúncia que eles se propuseram a anunciar"; os investigadores afirmaram que Lula era o "comandante geral" do esquema de corrupção na Petrobras; "Fora isto, a forma como se deu aquela entrevista coletiva com a utilização de recursos públicos, exagero no uso de adjetivos contra o ex-presidente, buscando claramente macular a sua honra e integridade, saíram do nível de conduta que os procuradores deveriam ter demonstrado, além de neutralizar o princípio da presunção de inocência"

14/09/2016- São Paulo- SP, Brasil- O advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Paulo Pinto/ AGPT
14/09/2016- São Paulo- SP, Brasil- O advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Paulo Pinto/ AGPT (Foto: Gisele Federicce)

Sputnik Brasil - Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, um dos advogados de Lula, Cristiano Zanin, afirma:

"Esta representação se baseia num possível desvio funcional praticado por alguns dos procuradores da República que participaram da entrevista coletiva em que anunciaram a denúncia oferecida contra o ex-Presidente Lula e sua esposa, D. Marisa Letícia. Por que fizemos esta representação? Porque o foco desta entrevista se baseou na possível formação de uma organização criminosa. Só que este tema não está sob atribuição dos procuradores da Lava Jato, mas sim aos cuidados do senhor procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que propôs a questão ao Supremo Tribunal Federal."

O advogado Cristiano Zanin continua: "Então, sequer era atribuição destes procuradores examinar a questão da organização criminosa, assim como ela não era objeto da denúncia que eles se propuseram a anunciar. Fora isto, a forma como se deu aquela entrevista coletiva com a utilização de recursos públicos, aluguel de espaço em hotel de luxo, o exagero no uso de adjetivos e de palavras fortes contra o ex-presidente da República, buscando claramente macular a sua honra e integridade, saíram do nível de conduta que os procuradores deveriam ter demonstrado, além de neutralizar o princípio da presunção de inocência que deveria ter sido observado contra as pessoas acusadas."

Cristiano Zanin acrescenta em sua entrevista à Sputnik: "Os procuradores também descuidaram de observar as recomendações do Conselho Nacional do Ministério Público para se lidar com grande cautela diante de questões de tamanha gravidade. Então, este é o cenário que nos levou a pedir ao Conselho Nacional do Ministério Público uma análise do comportamento funcional destes procuradores." O advogado disse ainda que pediu ao Conselho que os procuradores se abstenham de adotar posições que reflitam antecipação de juízo de valor, cumprindo as determinações deste órgão.

O Dr. Cristiano Zanin também observou que, diante do histórico envolvendo o Presidente Lula na condução deste processo, não há como descaracterizar uma ação política cujo objetivo principal é o de inviabilizar qualquer possível pretensão de ele vir a disputar a eleição presidencial de 2018.

Nota 247: a liminar foi inicialmente negada à defesa de Lula pelo Conselho Nacional do Ministério Público, que pediu mais explicações aos procuradores em um prazo de 15 dias. A decisão foi do conselheiro Valter Schuenquener, divulgada na noite desta sexta-feira 16.

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