Explosão dos casos de Covid-19 em Manaus pode ter sido causada por nova cepa do coronavírus

“Apesar de todo esse contexto de relaxamento da população em relação aos cuidados, acreditamos que esta nova cepa é a explicação mais plausível para um crescimento tão explosivo considerando o histórico de Manaus”, diz o epidemiologista Jesem Orellana

(Foto: ABr)
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247 - O epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz-Amazônia, que emitiu 13 alertas sobre o risco da explosão de casos e de mortes provocados pela Covid-19 desde agosto, avalia que uma nova cepa do coronavírus é a explicação mais plausível para a atual situação em Manaus . “Apesar de todo esse contexto de relaxamento da população em relação aos cuidados, acreditamos que esta nova cepa é a explicação mais plausível para um crescimento tão explosivo considerando o histórico de Manaus”, disse Orellana em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo

Ainda segundo ele, “esse tipo de crescimento tão explosivo a gente normalmente aceita quando toda a população é considerada suscetível ao novo vírus. Mas essa disseminação que estamos vendo num contexto em que pelo menos 30% a 40% da população já tinha sido exposta ao coronavírus só pode ser porque essa nova cepa se programa muito mais rapidamente que todas as 11 variantes que circularam antes na região”. 

Orellana diz que os primeiros sinais de uma segunda onda da pandemia começaram em agosto do ano passado, mas os alertas foram ignorados pelas autoridades. “Começamos a visualizar os primeiros sinais da segunda onda já na primeira quinzena de agosto de 2020, quando percebemos que ocorreu uma reversão da queda de casos. A curva epidêmica vinha com um padrão de queda, estabilizou e começou a subir. Foi o primeiro sinal, mas muitos ignoraram. Em setembro a situação piorou. Estávamos em contato com Ministério Público, Defensoria Pública, Secretaria de Saúde e recomendamos o lockdown. Fomos muito criticados, mas conseguimos convencer o ex-prefeito (Arthur Virgílio Neto, que propôs a medida ao governador Wilson Lima). Mas não durou 24 horas a decisão. Depois que (o presidente Jair) Bolsonaro classificou a medida como absurda, o governador a descartou totalmente. E tivemos um agravante sério de má ciência quando um grupo de pesquisadores publicou um artigo dizendo que Manaus tinha atingido a imunidade de rebanho”, afirmou o epidemiologista. 

Ainda d acordo com ele, a falta de oxigênios nos hospitais de Manaus, que levou muitas pessoas à morte por sufocamento, “é uma das maiores tragédias recentes da história da saúde pública mundial”.

 

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