Extinto por Bolsonaro, DPVAT gerou mais de R$ 30 bilhões ao SUS em 11 anos

Extinto nesta segunda-feira (11) pelo governo brasileiro, o “seguro obrigatório” para veículos, o DPVAT, foi responsável por fornecer ao Sistema Único de Saúde (SUS) mais de R$ 30 bilhões em pouco mais de uma década

Reconhecido internacionalmente, SUS está gravemente ameaçado
Reconhecido internacionalmente, SUS está gravemente ameaçado (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
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Do Brasil de Fato - Extinto nesta segunda-feira (11) pelo governo brasileiro, o “seguro obrigatório” para veículos, o DPVAT, foi responsável por fornecer ao Sistema Único de Saúde (SUS) mais de R$ 30 bilhões em pouco mais de uma década. 

A regulação do DPVAT determina que 45% das verbas arrecadas com ele sejam destinadas anualmente ao SUS. Só em 2018, foram repassados R$ 2 bilhões. 

O médico de família e professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) Aristóteles Cardona explica que, apesar do orçamento volumoso da saúde no Brasil, o dinheiro do DPVAT poderá fazer falta, já que há cada vez mais restrições financeiras na área. Uma delas é a Emenda do Teto de Gastos, que congelou os investimentos no setor por 20 anos.

“Em dez anos, de 2008 a 2018, foram mais de R$ 33 bilhões. Uma quantia significativa que entrava diretamente. Se a gente parte do ponto que o sistema é estrangulado, subfinanciado, se torna uma quantia significativa”, diz. 

Cardona prevê uma “reação em cadeia” que poderá “ampliar o impacto” da medida. Além do fim do repasse direto, a extinção do seguro possivelmente levará mais pessoas a procurar o SUS em casos de acidentes. 

Associada à suspensão de radares eletrônicos implementada pelo governo, a extinção da verba do DPVAT, que é utilizada também em campanhas de prevenção, pode contribuir com o aumento de acidentes. 

Tatiana Gould, 33 anos, recebeu o DPVAT há dez anos. Na ocasião, sequer sabia que o seguro existia. Por conta dos ferimentos, parte de seu tratamento, incluindo uma cirurgia, foi feito pelo SUS. Ela vê a obrigatoriedade do seguro como “essencial”, lembrando que acidentados sem vínculo empregatício formal podem passar grandes períodos sem renda. 

“Eu quebrei o braço, tive que colocar pino. No outro carro, que bateu na gente, o motorista faleceu. A família recebeu o DPVAT. O rapaz era o provedor da família, estava voltando do trabalho à noite. Eles ficaram sem renda”, relata. 

Medida é vista como retaliação

Em Brasília, a motivação da decisão de Jair Bolsonaro (PSL) é vista, ao menos em parte, como sendo uma retaliação a Luciano Bivar, deputado federal pelo PSL e presidente da legenda. Os dois se tornaram desafetos após disputas pelo controle do partido. 

Bivar é sócio da Excelsior, uma das seguradoras que compõe a adminstração do DPVAT. Nenhum dos dois comentou a questão em público. 

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