Fernando Brito: a Lava jato quer o poder. Para destruir o país, faltou dizer

O editor do Tijolaço, Fernando Brito, observa que o "Governo Bolsonaro é só uma escala técnica na rota do Partido dos Procuradores", uma organização " que alastrou suas bases pelo Ministério Público, extravasou para setores da Polícia Federal e da Receita e se disseminou entre militares da reserva e políticos; para ele, "aí está a chave para que se possa compreender, sem ilusões, o que significa a aspiração "lavajatista" ao poder absoluto: o desejo de destruição do estado nacional cujas bases foram lançadas na Revolução de 30"

Fernando Brito: a Lava jato quer o poder. Para destruir o país, faltou dizer
Fernando Brito: a Lava jato quer o poder. Para destruir o país, faltou dizer (Foto: Agência Brasil)

Por Fernando Brito, no Tijolaço - Insuspeito de simpatias ideológicas pelo petismo, Demétrio Magnoli, na Folha de hoje, faz excelente análise daquilo que cada vez mais pessoas percebem, embora há tempos seja óbvio: que o "Governo Bolsonaro é só uma escala técnica na rota do Partido dos Procuradores", uma organização " que alastrou suas bases pelo Ministério Público, extravasou para setores da Polícia Federal e da Receita e se disseminou entre militares da reserva e políticos (tanto governistas como de oposição).

Hoje, o projeto de poder tem seu próprio candidato presidencial, que atende pelo nome de Sergio Moro, e seu veículo oficioso de mídia, que é o site censurado pelo ato ilegal do STF.

Magnoli acerta em cheio no diagnóstico, mas erra na etiologia deste mal, ao situar – possívelmente por suas idiossincrasias com o PT – o surgimento de seus "sinais iniciais emergiram em maio de 2017, na "operação Joesley Batista" e no artigo de Rodrigo Janot que denunciava "o estado de putrefação de nosso sistema de representação política"(...) enunciava, então, nada menos que um objetivo estranho à missão judicial da Procuradoria: limpar a República, substituindo a elite política tradicional por uma outra, pura e casta".

 É evidente que o uso político de investigações – sobretudo pelo vazamento seletivo e pela transformação de acusações em provas com alto valor de barganha – vem de antes, muito antes e teve seu primeiro clímax na capa da Veja do "Eles sabiam de tudo" lançada como panfleto eleitoral na véspera da eleição presidencial de 2014.

Não funcionou ali, mas funcionou a seguir, abrindo caminho para que a escória da política, como cupins, transformasse em estrutura carcomida e frágil o Governo, ajudada pela errônea – embora, talvez, inevitável – atitude de Dilma Rousseff de achar que as ideias econômica neoliberais, se postas devidamente na coleira, sossegariam a matilha.

A questão, infelizmente, é que grande parte da direita brasileira – e mais ainda porque seus núcleos de elite precisam descer ao nível da selvageria política para obter base social – já não tem sequer um projeto de desenvolvimento associado, "liberal com tinturas sociais" como sugeria o pensamento de Norberto Bobbio, que Fernando Henrique Cardoso gostava de citar.

Só o ódio insano é capaz de produzir adesão à versão atual do neocolonialismo que, se quiséssemos fazer paralelos historicos, teríamos de situar no Brasil colonial de antes da vinda da família real: uma subnobreza cuja vassalagem e dependência da metrópole interditava qualquer ação de desenvolimento do que viria a ser esta nação.

E quem são os "ingleses" beneficiários disto é ocioso dizer.

Aí está a chave para que se possa compreender, sem ilusões, o que significa a aspiração "lavajatista" ao poder absoluto: o desejo de destruição do estado nacional cujas bases foram lançadas na Revolução de 30.

Não é apenas no (re)tornar a questão social a "um caso de polícia".

É tornar a política uma dança formal num baile onde só podem estar os convidados desta risível corte.

Aos demais, "cortem-lhe as cabeças".

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