Franklin Martins: quando você não se submete à opressão ela fica pequena

O jornalista, comentarista político e ex-ministro do governo Lula, Franklin Martins discorreu sobre muitos temas, mas ele se considera essencialmente um repórter; militou na luta armada durante a ditadura militar, foi preso e viveu na clandestinidade até sair do país por um tempo

02/12/2016 - PORTO ALEGRE, RS - Entrevista com o Franklin Martins. Foto: Guilherme Santos/Sul21
02/12/2016 - PORTO ALEGRE, RS - Entrevista com o Franklin Martins. Foto: Guilherme Santos/Sul21 (Foto: Foto: Guilherme Santos/Sul21)

247 - O jornalista, comentarista político e ex-ministro do governo Lula, Franklin Martins discorreu sobre muitos temas, mas ele se considera essencialmente um repórter. Militou na luta armada durante a ditadura militar, foi preso e viveu na clandestinidade até sair do país por um tempo. “Essa foi a história da minha geração, da geração que não se submeteu, que não se conformou com o que acontecia no país.” Os que fizeram oposição ao regime militar, diz ele, deram uma dimensão de qualidade de pensamento à luta política e a noção de que o povo é mais importante que as elites. “Quando você não se submete à opressão ela fica pequena”.         

Nesta entrevista, Franklin falou bastante sobre os três volumes do livro que publicou em 2015 – Quem foi que inventou o Brasil? – um registro importante e inédito da música ligada à política ao longo da história brasileira. Seus livros cobrem três períodos e contêm mais de 2 mil canções de vários ritmos que fazem críticas ou sátiras dos momentos políticos vivenciados pelos autores das canções, que fazem uma crônica dos acontecimentos políticos. 

“Ao longo dos tempos, em um Brasil que mal sabia ler, as notícias eram veiculadas através da poesia, do cordel ou da música.”, diz Franklin.  

Para ele, os artistas dos anos 60 e 70 que produziram críticas eram de um talento extraordinário e suas criações de uma riqueza musical que jogou um papel muito importante pela redemocratização. 

Essa questão da democratização, segundo Franklin, nos levou onde estamos hoje porque é difícil para a elite brasileira aceita-la. “Nossa elite não tem projeto, não tem valores, não pensa o país, tem vergonha do seu povo e quer um lugar ao sol debaixo da asa de alguém lá de fora. Descobrimos com tudo que acontece hoje como é difícil para esse setor da sociedade conviver com a inclusão. Para eles vale a proposta: fica no seu lugar e não me enche o saco.” Franklin afirma que o golpe de 1964 foi dado contra as expectativas de democracia, o de 2016 foi contra a experiência da democracia no Brasil. 

Inscreva-se na TV 247 e assista à entrevista na íntegra:

Conheça a TV 247

Ao vivo na TV 247 Youtube 247