Frei Chico: “todo jurista sério assegura a elegibilidade de Lula”

Irmão do ex-presidente, Frei Chico comenta a expectativa para o registro da candidatura de Lula no TSE, feita nesta tarde com uma forte mobilização popular; "Todo jurista sério, alicerçado na legislação, aponta que não há nada que determine a inelegibilidade de Lula para disputar as próximas eleições. Por outro lado, setores do Judiciário, sob pressão política e das grandes corporações, que tem interesses comerciais no Brasil, parecem dispostas até a subverterem a legislação", diz ele ao 247; por Ricardo Flaitt

Frei Chico: “todo jurista sério assegura a elegibilidade de Lula”
Frei Chico: “todo jurista sério assegura a elegibilidade de Lula” (Foto: Editora Brasil 247)

Por Ricardo Flaitt – No dia em que será registrada a candidatura de Lula à disputa eleitoral pela presidência 2018, Frei Chico, irmão do ex-presidente, falou sobre a prisão, a postura do Judiciário, os desdobramentos da Lava Jato e a pressão dos mercados financeiro e industrial neste período pós-deposição de Dilma Rousseff.

Como você analisa a prisão de Lula?

Frei Chico – A prisão de Lula é um ato para retirá-lo da vida pública, com forte influência de pressão externa, principalmente das grandes grandes corporações financeiras e industriais, que determinam as políticas em diversos países que possuem democracias muito frágeis.

A ideia de prender Lula representa barrar o avanço de um modelo econômico que estava tornando o Brasil menos dependente e que, ao mesmo tempo, promovia melhorias para o povo. Também de impedir que o país se expandisse comercialmente para outros mercados como a Rússia, a China, a Índia e a África.

Como vê a atuação do Judiciário neste processo?

Frei Chico – O Judiciário cumpre o seu papel, porém, alguns setores foram recrutados para serem os porta-vozes dos interesses de grupos internacionais.

Mas existe prova capaz de condenar Lula?

Frei Chico – O maior absurdo deste processo é que não existe prova, mas apenas insinuações de que ele, enquanto presidente, fora beneficiado. No entanto, ainda não foi apresentado nada. Condenaram-o a partir de "convicções", o que é inadmissível do ponto de vista legal não só para o Lula como para qualquer cidadão brasileiro.

Diante da ausência de provas, o Supremo Tribunal Federal deveria instaurar uma sindicância no processo, para averiguar onde estão as provas dos crimes que o Lula é acusado e, consequentemente, apresentar à sociedade.

Se não há prova, como fica a situação da Lava Jato?

Frei Chico – A Lava Jato é uma ação para investigar possíveis enriquecimentos ilícitos com o dinheiro público, porém, já se passaram quatro anos e até o momento não conseguiram apresentar uma prova concreta contra Lula.

Há poucos dias você encontrou com Lula em Curitiba. Como ele encara a situação?

Frei Chico – Apesar de todo transtorno provocado em sua vida e na de seus familiares, Lula aguarda, com lucidez, que o Poder Judiciário ainda reconhecerá e reparará o erro de se condenar um cidadão sem apresentação de provas.

E a posição da imprensa?

Frei Chico – Vítima de uma crise da qual ela alimentou, a imprensa continua deturpando os fatos, causando um prejuízo financeiro e de credibilidade a si mesma perante a sociedade.

Hoje será registrada a candidatura de Lula para disputar a presidência do Brasil. Qual sua perspectiva?

Frei Chico – Todo jurista sério, alicerçado na legislação, aponta que não há nada que determine a inelegibilidade de Lula para disputar as próximas eleições. Por outro lado, setores do Judiciário, sob pressão política e das grandes corporações, que tem interesses comerciais no Brasil, parecem dispostas até a subverterem a legislação.

O que mais me chama a atenção, e causa-me indignação, é que existem centenas de casos de políticos, nas mesmas circunstâncias atuais de Lula, que não foram impedidos de serem candidatos.

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