Frente a aumento de mortes por covid, governo intensificou distribuição de cloroquina

Foram mobilizados cinco ministérios, duas estatais e as Forças Armadas para distribuir o medicamento ineficaz e perigoso

Eduardo Pazuello e Jair Bolsonaro
Eduardo Pazuello e Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução)
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Do Brasil de Fato – A distribuição de cloroquina e hidroxicloroquina, medicamentos comprovadamente ineficazes no combate à covid-19, mobilizou cinco ministérios, sendo eles Ministérios da Saúde, Defesa, Economia, Relações Exteriores e Ciência e Tecnologia, uma estatal, dois conselhos da área econômica, Exército e Aeronáutica, segundo um levantamento realizado pelo jornal Folha de S. Paulo.

No total, de acordo com dados do Ministério da Saúde, foram distribuídos 5.416.510 comprimidos de cloroquina e 481.500 de hidroxicloroquina. Somente o Laboratório Químico Farmacêutico do Exército produziu 3,2 milhões de comprimidos de cloroquina, o que representou um gasto de R$ 1,16 milhão.

Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), de outubro de 2020, apontou para uma demanda excessiva do Departamento de Logística do Ministério da Saúde de comprimidos, com o “potencial de gerar dano ao erário, pois a produção pode exceder à necessidade do SUS e gerar acúmulo e vencimento de medicamentos”.

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A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) também confirmou que dois hospitais universitários compraram 2.570 doses de hidroxicloroquina no primeiro semestre de 2020, por R$ 2.546,32.

A compra e distribuição envolveu, inclusive, isenções de impostos pelo Ministério da Economia. Em nota, a pasta afirmou que “esta medida é aplicada a todas as mercadorias declaradas essenciais ao combate à Covid-19, atualmente com mais de 200 itens diferentes”. Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores autorizou o recebimento de uma doação de 2 milhões de comprimidos dos Estados Unidos. Já, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações financiou uma pesquisa sobre o uso da cloroquina em populações do grupo de risco por uma valor de R$ 1,44 milhão.

Números no Brasil

Neste sábado (6), o Brasil completou 17 dias seguidos com média móvel de óbitos registrados acima de 1 mil, segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). É o segundo maior período em patamares desse nível. Entre julho e agosto a sequência chegou a durar um mês. O dado é calculado a partir da soma de todos os registros dos últimos sete dias, dividida por sete.

Até este sábado (6), a soma de todos os casos fatais registrados da covid no Brasil chegou a 231.012. Em apenas um dia foram confirmados 978 óbitos, no mesmo período, o número de contaminados chegou a 50.630. O total de pessoas que já contraíram o vírus é de praticamente 9,5 milhões.

Segundo o Boletim Observatório Covid-19 Fiocruz desta sexta-feira (5), nenhum estado apresentou queda no número de óbitos nas semanas de 17 a 30 de janeiro. Pelo contrário, no Acre, Amazonas, Roraima, Ceará e Paraná houve aumento expressivo de mortes.

As taxas de ocupação dos leitos de unidades de tratamento intensivo (UTI), por sua vez, estão em estado crítico, segundo a Fiocruz: sete estados em zona de alerta crítica, com uma taxa igual ou superior a 80%; e 14 estados e o Distrito Federal em zona de alerta intermediária, entre 80% e 60%. 

Saiba o que é o novo coronavírus

É uma vasta família de vírus que provocam enfermidades em humanos e também em animais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que tais vírus podem ocasionar, em humanos, infecções respiratórias como resfriados, entre eles a chamada “síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS)”.

Também pode provocar afetações mais graves, como é o caso da Síndrome Respiratória Aguda Severa (SRAS). A covid-19, descoberta pela ciência mais recentemente, entre o final de 2019 e o início de 2020, é provocada pelo que se convencionou chamar de novo coronavírus. 

Como ajudar quem precisa?

A campanha “Vamos precisar de todo mundo” é uma ação de solidariedade articulada pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo Sem Medo.

A plataforma foi criada para ajudar pessoas impactadas pela pandemia da covid-19. De acordo com os organizadores, o objetivo é dar visibilidade e fortalecer as iniciativas populares de cooperação.

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