Gilmar: caixa 2 ameaça eleição de 2018

Presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ministro do STF (Superior Tribunal Federal), Gilmar Mendes afirmou que o caixa dois detalhado pelos ex-executivos da Odebrecht na operação Lava Jato pode ter sido "tão ou até mais forte do que o caixa um" e diz temer pelo pleito de 2018, caso não haja mudanças no sistema político; ele defendeu a realização de uma reforma político-eleitoral até setembro deste ano, para que novas regras possam valer a partir do próximo pleito."Imagine o que vai ser uma eleição presidencial, quando vamos ter essa corrida de elefantes, com um sistema sem regulação. Esse tema precisa estar na agenda", disse; segundo Gilmar, o sistema de financiamento só com pessoas físicas não resolve

Brasília - Presidente do TSE, Gilmar Mendes, faz balanço dos trabalhos do tribunal e apresenta dados sobre prestações de contas de campanhas referentes às eleições municipais deste ano (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Brasília - Presidente do TSE, Gilmar Mendes, faz balanço dos trabalhos do tribunal e apresenta dados sobre prestações de contas de campanhas referentes às eleições municipais deste ano (Marcelo Camargo/Agência Brasil) (Foto: Giuliana Miranda)

247 - O ministro Gilmar Mendes, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), disse nessa segunda-feira que o sistema de caixa 2 descoberto com os depoimentos da Odebrecht são um risco às eleições de 2018. Ele defendeu a realização de uma reforma político-eleitoral até setembro deste ano, para que novas regras possam valer a partir do próximo pleito.

As informações são de reportagem de Thiago Herdy em O Globo.

"— Segundo as revelações que agora estão saindo da Lava-Jato e da Odebrecht, talvez o caixa dois tenha sido tão forte ou até mais forte do que o caixa um. Imagine o que vai ser uma eleição presidencial, quando vamos ter essa corrida de elefantes, com um sistema sem regulação. Esse tema precisa estar na agenda, e esse é o grave problema. Tem que estar na agenda até setembro, por conta do princípio da anualidade — afirmou Gilmar, antes de participar de evento no Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis (Sescon) de São Paulo.

O ministro do STF, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), disse considerar a reforma político-eleitoral como “a mãe das reformas”, para combater falhas “no sistema de financiamento e na multiplicação de partidos”. Para ele, as iniciativas no sentido de reduzir os danos do sistema são, em geral, “muito fracas”.

— Precisamos encontrar um outro meio de financiamento que não seja esse (atual), simplesmente das pessoas físicas. Alguma coisa tem que se fazer, ou crowdfunding (financiamento coletivo) ou alguma coisa que se regularize em torno desse tema — afirmou o ministro.

Gilmar criticou o vazamento de informações dos depoimentos da Odebrecht, por provocarem “instabilidade”. Ele disse acreditar que o relator da Lava-Jato no STF, Edson Fachin, deliberará sobre o levantamento do sigilo na próxima semana." 

 

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