Governo federal quer elevar 138 presídios ao padrão de segurança máxima
Plano prevê reforço tecnológico e foco em unidades que concentram líderes de facções criminosas
247 - O governo federal pretende adequar 138 presídios brasileiros ao padrão de segurança máxima como parte da estratégia de enfrentamento ao crime organizado. A proposta foi apresentada nesta terça-feira (9) pelo ministro da Justiça, Wellington César Lima, durante audiência na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados. As informações são do SBT News.
As unidades selecionadas correspondem a cerca de 10% dos aproximadamente 1.380 estabelecimentos prisionais existentes no país. O plano prevê a adoção de protocolos operacionais semelhantes aos utilizados no sistema penitenciário federal, além da ampliação de recursos tecnológicos de monitoramento e controle.
Segundo o ministro, a definição das unidades ocorreu a partir de levantamentos realizados pela inteligência penitenciária federal em conjunto com os sistemas estaduais. O objetivo foi identificar os presídios com maior potencial para reduzir a influência de lideranças criminosas.
Ainda de acordo com Wellington César Lima, os 138 estabelecimentos reúnem aproximadamente 18% da população carcerária nacional, mas concentram cerca de 80% das lideranças vinculadas a aproximadamente 80 organizações criminosas monitoradas pelos órgãos de inteligência.
"Não teve outro critério. Não teve o critério do estado. Não teve o critério de natureza política. [Foi] critério técnico. Quais são os presídios que mais produziriam um efeito de neutralizar lideranças? São esses? Então os 138 estão listados", afirmou.
Combate à comunicação entre facções
Durante a audiência, o ministro também defendeu o bloqueio da comunicação entre integrantes de organizações criminosas presos em diferentes unidades do sistema penitenciário. Segundo ele, impedir a troca de mensagens e ordens entre lideranças é uma medida fundamental para enfraquecer a atuação das facções dentro e fora dos presídios.
O ministro informou ainda que o governo iniciou a aquisição de equipamentos voltados à identificação de celulares introduzidos ilegalmente nas unidades prisionais. Na primeira etapa, foram comprados 15 aparelhos capazes de localizar dispositivos mesmo quando estão desligados ou escondidos em paredes e estruturas subterrâneas.
"Não há possibilidade de um combate efetivo e sério ao crime organizado com esse tipo de situação, porque o presídio vira escritório do crime. Dali partem as ordens. A comunicação não cessa em nenhum minuto. As estratégias são definidas e redefinidas, de maneira que, como o primeiro ponto é fazer asfixia financeira, o segundo ponto tem que ser interditar a comunicação entre as lideranças das organizações criminosas", declarou.



