Glenn Greenwald entra com recurso e pede à Justiça que rejeite denúncia contra ele

Jornalista argumenta que em nenhum momento ele "orientou, incentivou ou auxiliou sua fonte na obtenção do material de interesse jornalístico que lhe foi repassado". A defesa diz que conversa entre Greenwald e um dos investigados não pode ser usada como prova porque quebra o direito ao sigilo da fonte, protegido por lei

(Foto: Adriano Machado - Reuters)
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247 - O jornalista Glenn Greenwald, do site "The Intercept", pediu ao Judicário nesta quarta-feira (22) que rejeite a denúncia apresentada contra ele pelo Ministério Público Federal (MPF), informou a Globonews nesta quinta-feira.

Mesmo sem ter sido investigado ou indiciado, o jornalista foi denunciado na terça-feira (21) na operação Spoofing, que investiga acesso a mensagens de celulares de autoridades. O juiz federal Ricardo Leite decidirá se aceita ou não a denúncia do MPF. Cso aceite, o jornalista se torna réu. A petição foi apresentada à 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal. 

"Ao contrário do que o contorcionismo retórico e interpretativo da denúncia tentou fazer parecer, os diálogos travados entre o requerente e sua fonte revelam apenas a ação de um jornalista profissional e cuidadoso, que em nenhum momento orientou, incentivou ou auxiliou sua fonte na obtenção do material de interesse jornalístico que lhe foi repassado", diz trecho da petição.

O Intercept Brasil vem divulgando irregularidades da Operação Lava Jato desde junho do ano passado. Segundo as reportagens, quando era juiz na primeira instância jurídica, o atual ministro Sérgio Moro (Justiça) dava orientações ao trabalho de procuradores, ferindo a equidistância entre quem julga e quem acusa. 

Os advogados de Greenwald argumentam que a denúncia desrespeitou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Alegam que conversa entre jornalista e um dos investigados não pode ser usada como prova porque quebra o direito ao sigilo da fonte, que é protegido pela Constituição.

A defesa também afirma que a denúncia não prova que o editor do Intercept teria orientado hackers e nem que ele tinha consciência de que os investigados estavam invadindo celulares. Por fim, os defensores dizem que a Polícia Federal analisou os mesmos diálogos que o MPF e isentou o jornalista de qualquer ato ilícito.

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