Grupo Prerrogativas entrega carta a Lula: altivez como presidente e como preso político

O cantor Chico Buarque, a jurista Carol Proner e Fábio Luis, filho de Lula, entregam nesta quinta-feira (19) ao ex-presidente uma carta do grupo Prerrogativas, de advogados que lutam pelos direitos constituicionais. "Querido Lula, você sublimou o amargor do encarceramento brutal, para nos oferecer uma sábia e corajosa lição de insubmissão", diz o texto. Leia a íntegra

(Foto: Ricardo Stuckert)

247 - O cantor Chico Buarque, a jurista Carol Proner e Fábio Luis, filho de Lula, entregam nesta quinta-feira (19) ao ex-presidente uma carta do grupo Prerrogativas, de advogados que lutam pelos direitos constituicionais.

"Querido Lula, você sublimou o amargor do encarceramento brutal, para nos oferecer uma sábia e corajosa lição de insubmissão. Esse inconformismo desafiador dos seus algozes - os mesmos que hoje andam cabisbaixos e evasivos com a revelação dos próprios desvios e abusos - representa a capacidade de um povo que não se verga à opressão", diz o texto.

Leia a íntegra:

Querido Presidente Lula,

Esta é uma carta de agradecimento.  

Nós, juristas e cidadãos do grupo Prerrogativas sempre estivemos naturalmente afinados com a sua trajetória de lutas. Nossos princípios e valores coincidem em essência com os seus, pois mantemos firme a nossa esperança na construção de um país com justiça social e autêntico respeito aos direitos e liberdades dos brasileiros, sobretudo os mais pobres e desassistidos. Agora, além de nos identificarmos com a sua atuação política, também nos sentimos inspirados e fortalecidos pela sua postura íntegra ao enfrentar uma prisão profundamente injusta. 

Querido Lula, você sublimou o amargor do encarceramento brutal, para nos oferecer uma sábia e corajosa lição de insubmissão. Esse inconformismo desafiador dos seus algozes - os mesmos que hoje andam cabisbaixos e evasivos com a revelação dos próprios desvios e abusos - representa a capacidade de um povo que não se verga à opressão.  

Com sua atitude coerente e seus gestos serenos e firmes, você tem denunciado ao Brasil e ao mundo não somente a indignidade da perseguição abjeta que sofre, mas também a ignomínia que há em toda e qualquer condenação ilegítima; em toda e qualquer detenção arbitrária. Precisamos lhe dizer muito obrigado, por assim desmascarar a farsa judiciária montada em nosso país para promover retrocessos políticos e sociais, sob o pretexto do combate à corrupção.  

Seus perseguidores não resistiram à tentação de encarnar falsos heróis, reunidos em torno de uma instância deletéria e paralela de poder, fomentada por sórdidos interesses políticos, com amplo respaldo midiático. 

Nos âmbitos judiciário e acadêmico, temos resistido e lutado ao máximo para fazer prevalecer os paradigmas da Constituição e dos critérios técnico-jurídicos, especialmente em relação às garantias da defesa penal, à incolumidade dos direitos individuais e à preservação da democracia. 

O seu exemplo de têmpera e bravura, presidente, colabora intensamente para que possamos resgatar, de uma vez por todas, a plenitude da presunção da inocência como um mandamento efetivo em nosso país. 

Além desse merecido agradecimento, receba também, presidente, a solidariedade sincera dos integrantes do grupo Prerrogativas, profissionais do Direito cuja distinção e excelência vem sendo dedicada a combater a seletividade ilícita e odiosa que insiste em contaminar o nosso sistema de justiça. 

Esteja certo, presidente Lula, que a verdade histórica haverá de prevalecer, uma vez eliminados os disfarces que afastaram a aplicação do direito de seu percurso natural e justo, impondo-lhe uma pena notadamente destituída de provas e fundamentos.  

Por fim, direcionamos a você, presidente Lula, o nosso imenso afeto e admiração. Somente pessoas com a sua estatura ética e humana poderiam manter a mesma altivez, seja como supremo mandatário da nação, como réu privado de garantias processuais básicas, ou mesmo na condição de preso político, como ora se encontra, sob a jurisdição anômala, inquisitorial, parcial e desonesta de Curitiba.  

"Confinados em cela igual Somos nós todos reféns, porém Não se negocia a dignidade Por nada aquém, nada além Lula, nós vamos te libertar Pra gente também se livrar Da prisão nesse pesadelo" (Canção pela Libertação Joaquim França e Eduardo Rangel)  

Abraços e beijos,  

Juristas e cidadãos do grupo Prerrogativas.

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