Haddad: falar em parlamentarismo sem plebiscito é golpe

Em artigo publicado neste sábado (16), Fernando Haddad aborda os golpes recentes na América Latina - híbridos ou soft e os hard - , e faz um alerta sobre mais uma tentativa do Congresso de levar o Brasil ao parlamentarismo: "sem plebiscito é golpe"

Fernando Haddad
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247 - Em artigo publicado na Folha de S.Paulo neste sábado (16), Fernando Haddad (PT-SP) diz que "a história da América Latina é tão violenta que muitas vezes as sutilezas do processo político passam despercebidas e confundem o observador de boa-fé".

O ex-prefeito de São Paulo lembra da prática de emendar a Constituição que os governantes neoliberais tanto utilizaram nos anos 1990 em benefício próprio - Fernando Henrique Cardoso com comprovada compra de votos por aqui. E cita o caso do ex-presidente Lula, que mesmo com índices de aprovação nas alturas e lideranças petistas animadas com a possibilidade de um terceiro mandato, ele mesmo a rejeitou.

"A operação foi abortada pelo próprio, no nascedouro, o que lhe reserva um lugar diferenciado na lamentável tradição latino-americana que ainda persiste, tanto à direita quanto à esquerda (Evo)", escreve.

"Não quero, neste momento, tratar dos golpes menos sutis que têm marcado o período recente. Golpes parlamentares (Lugo e Dilma) e "lawfare" (Cristina Kirchner, Rafael Corrêa e Lula) --expedientes que corroem a democracia por dentro das instituições-- vêm sendo abordados por estudos acadêmicos em profusão. Não são tão escancarados como os golpes militares dos anos 1960-70 (e contra Evo)--daí o recurso aos adjetivos "híbrido" ou "soft" para caracterizá-los-- nem são tão sutis quanto aqueles que se praticam sob aparente normatividade", reflete Haddad.

Para o ex-prefeito, falar em parlamentarismo sem plebiscito, como foi ventilado recentemente pelo ex-senador Jorge Bornhausen, desconsiderando os plebiscitos de 1963 e 1993, "é golpe: aquele típico arranjo de gabinete envernizado tão ao gosto do tradicional centr(ã)o brasileiro que se pensa moderno".

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