História mostra que governo Lula atuou contra a corrupção, diz biógrafo de ex-ministro

Ao falar sobre o segundo volume da biografia de Waldir Pires, jornalista destaca que Lava Jato é uma quadrilha concebida para criminalizar a política

Waldir Pires
Waldir Pires

RBA - Um dos principais personagens que atuou no primeiro mandato do governo Lula para criar instrumentos de combate à corrupção foi o ex-governador da Bahia e ex-ministro Waldir Pires. Como ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Waldir Pires criou o Portal da Transparência e o programa de fiscalização a partir de sorteios públicos, entre outras iniciativas, que deram ao poder público maior força institucional para atuar contra esses crimes.

“Todo esse clima criado pela Lava Jato – com essa quadrilha montada para a criminalização da política e especificamente para a perseguição ao Lula  fica parecendo que o PT seria o partido da corrupção, quando isso não é verdade”, afirma Emiliano José, autor da biografia Waldir Pires, cujo segundo volume foi lançado na quarta-feira (16), em São Paulo.

“As nossas principais lideranças, como Zé Dirceu, João Vaccari Neto, Delúbio Soares não têm nada a dever, só têm o fato de serem do PT, e terem lidado com o mundo real. Mas o governo do PT foi aquele que criou os mecanismos para o combate à corrupção. E o Lula apoiou isso, apoiou o Waldir com a Controladoria, o Waldir foi um caso de sucesso no combate à corrupção”, afirma.

O jornalista e escritor Emiliano José, que foi assessor de Waldir Pires, diz que nesse segundo volume trata do biografado desde sua chegada à Bahia, em 1979. Pires foi candidato ao Senado em 1982, com 1 milhão de votos, portanto, depois de 20 anos fora do país, praticamente. “E em 1986 desenvolve a mais memorável campanha política da Bahia. Foi um levante popular, uma coisa inimaginável de identificação entre uma liderança e seu povo. Foi uma vitória realmente emocionante”, disse Emiliano, em entrevista aos jornalistas Glauco Rodrigues e Marilu Cabañas, no Jornal Brasil Atual da quinta-feira (17), na Rádio Brasil Atual.

À frente do governo da Bahia, Pires encara o que seria o maior drama da vida, segundo o autor, ao renunciar para acompanhar Ulysses Guimarães, candidato a presidente pelo MDB, e ele candidato a vice. “Numa pressão imensa dos governadores que queriam ele na chapa. Mas foi o maior erro da vida dele. A maioria traiu, foi para o Collor, e o Ulysses teve um desempenho pífio e surgiu uma novidade, que era o Collor, uma novidade falsa, como a atual”, afirma, referindo-se ao atual governo de Bolsonaro.

“E o Waldir sofre uma derrota brutal, inegavelmente por um erro político dele. Mas logo depois ele é eleito deputado por uma votação estúpida na Bahia”, lembra Emiliano.

Em 1997, Waldir Pires decide entrar no PT, graças à admiração que tinha pelo Lula, “o que ele manteve até o fim de sua existência”, diz Emiliano. “É também a mais longeva participação dele em um partido é no PT, curiosamente. Ele foi o construtor da Controladoria Geral da União, e praticamente institucionalizou o combate à corrupção no país”, destacou.

Trajetória

Logo depois do golpe de 1964, Pires vai para o Uruguai e passa lá cerca de um ano, e depois segue para a França. “E ele volta ao Brasil logo depois do Ato Institucional nº 5. Ele tinha noção que não poderia deixar os filhos serem ganhos por outra pátria. Os filhos já estavam completamente ambientados na França e estavam sendo ganhos pelo outro país”, disse o escritor. “E ele se recusou deixar os filhos serem ganhos por outra pátria”, destacou.

Contra a opinião da família, Pires resolve voltar ao Brasil em um clima absolutamente inóspito, “porque ele volta em março de 1970 em pleno governo do ditador Médici, o mais terrível deles, e ele volta e não pode nem sequer advogar. Chegou e logo foi preso e levado para polícia federal, mas não tinha nada contra ele ele, então, teve que quebrar pedra. Literalmente ele montou uma pedreira para viver. Isso foi no Rio de janeiro, onde ele ficou numa espécie de terceiro exílio”, afirma Emiliano. “Em 1979, com o fim do ato nº 5, ele volta à Bahia com pompa e circunstância, recebido pelas principais lideranças do Estado. E aí passa a assumir a liderança das oposições”.

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