Igor Fuser: decadência da 'América' será em ritmo mais acelerado

Professor de Relações Internacionais da UFABC, Igor Fuser afirma que eleição de Donald Trump "desnuda e desmoraliza o sistema democrático americano"; "A decadência da "América" vai continuar, em ritmo ainda mais acelerado, e a democracia de araque ficará ainda mais desmoralizada, num mundo cada vez mais incerto, tenso, angustiado, injusto e violento", diz

Professor de Relações Internacionais da UFABC, Igor Fuser afirma que eleição de Donald Trump "desnuda e desmoraliza o sistema democrático americano"; "A decadência da "América" vai continuar, em ritmo ainda mais acelerado, e a democracia de araque ficará ainda mais desmoralizada, num mundo cada vez mais incerto, tenso, angustiado, injusto e violento", diz
Professor de Relações Internacionais da UFABC, Igor Fuser afirma que eleição de Donald Trump "desnuda e desmoraliza o sistema democrático americano"; "A decadência da "América" vai continuar, em ritmo ainda mais acelerado, e a democracia de araque ficará ainda mais desmoralizada, num mundo cada vez mais incerto, tenso, angustiado, injusto e violento", diz (Foto: Aquiles Lins)

Por Igor Fuser, no Brasil de Fato – Trump: o imperialismo nu, descarado, sem disfarces. Um presidente racista, que prometeu construir um muro na fronteira com o México e ainda mandar a conta para os mexicanos pagarem. Um presidente que incluiu entre suas promessas de campanha a proibição do ingresso de muçulmanos nos EUA. Demagogo, oportunista, machista, homofóbico, o homem da peruca laranja usou o mesmo discurso fascistóide dos coxinhas brasileiros, que saíram às ruas atrás do pato da Fiesp (não por acaso, o Movimento Brasil Livre juntou 20 gatos pingados na Paulista em um bizarro ato pró-Trump). Manipulou em seu favor todo o tipo de preconceito, ignorância, egoísmo, fanatismo religioso, e o ultraliberalismo tosco dos que demonizam o Estado na crença de um "livre-mercado" genocida. Quem viu a eleição de João Dória em Sampa não se surpreende….

Do lado oposto, a opção Hillary não era muito melhor – a candidata dos 1%, dos ricaços de Wall Street, dos guerreiros de sofá que financiam a direita golpista na Venezuela e agora ameaçam a Rússia porque se recusa a rezar pela cartilha da Casa Branca. Enfim, uma tucana carnívora derrotada por uma mistura de Bolsonaro e Silvio Santos.

Agora, é claro, Trump vai se recompor com o "esquemão" que ele até ontem desafiava. Talvez isso segure a derrocada nas bolsas por algum tempo. Mas nada vai ficar igual. Logo o povo da Gringolândia vai perceber que elegeu um impostor. Os empregos perdidos não vão voltar, as famílias (milhões delas) desesperadas porque não conseguem pagar as dívidas para custear as universidades caríssimas dos seus filhos não terão alívio, os pobres continuarão a ser despejados das suas casas, e Trump vai jogar no lixo, rapidinho, todas as suas promessas de reverter a globalização devoradora de empregos.

A decadência da "América" vai continuar, em ritmo ainda mais acelerado, e a democracia de araque ficará ainda mais desmoralizada, num mundo cada vez mais incerto, tenso, angustiado, injusto e violento.

O pior de tudo isso é que, em toda parte, os fascistas, os truculentos, os racistas, os babacas, os saudosistas de todas as ditaduras, os adoradores do deus Mercado, os escrotos de todos os tipos se sentirão ainda mais empoderados. Assanhados para nos agredir, como fizeram no sábado com a invasão policial à Escola Nacional Florestan Fernandes.

Tempos duros pela frente, mas a gente é capaz, sim, de aguentar esse tranco. A extrema-direita grita, faz caretas, e até consegue ganhar eleições. Mas seu projeto é raso, inconsistente, inviável. Não tem resposta para a crise do capitalismo, nem, muito menos, para as angústias da humanidade que os fascistas têm conseguido, até agora, manipular em seu proveito.

Lutas maiores virão, e o projeto da esquerda, anticapitalista, emancipador, solidário, inclusivo, ecológico, democrático, humanista e socialista se afirmará, antes cedo do que tarde, como a única alternativa viável.

A mesma eleição gringa que trouxe Trump revelou também Bernie Sanders como um arauto da esperança.

Minha certeza é de que somos, sim, capazes de sobreviver, resistir e vencer.

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