Insegurança e apreensão marcam futuro da política indígena, diz pesquisadora

Para a pós-doutoranda e pesquisadora do Centro de Estudos Ameríndios da USP Karen Shiratori, "a insegurança é o sentimento que cerca a posse de Jair Bolsonaro quando se trata da preservação do meio ambiente e da segurança aos povos indígenas e suas terras, claramente objetos de cobiça de setores do agronegócio e da mineração"; segundo ela, a apreensão é crescente devido ao aumento de invasões de áreas demarcadas "respaldadas nos pronunciamentos de Bolsonaro e sua equipe de transição sobre a política indigenista que será adotada"

Insegurança e apreensão marcam futuro da política indígena, diz pesquisadora
Insegurança e apreensão marcam futuro da política indígena, diz pesquisadora (Foto: G. Miranda/FUNAI/Survival)

247- Para a pós-doutoranda e pesquisadora do Centro de Estudos Ameríndios da USP Karen Shiratori, "a insegurança é o sentimento que cerca a posse de Jair Bolsonaro quando se trata da preservação do meio ambiente e da segurança aos povos indígenas e suas terras, claramente objetos de cobiça de setores do agronegócio e da mineração". segundo ela, a apreensão sobre o futuro dos povos indígenas é crescente devido ao aumento de invasões de áreas demarcadas "respaldadas nos pronunciamentos de Bolsonaro e sua equipe de transição sobre a política indigenista que será adotada".

Em um artigo publicado pelo Nexo Jornal, Karen observa que "al instabilidade fragiliza as instituições indigenistas e os povos indígenas, sobretudo, aqueles em situação de isolamento". Nesse cenário de incertezas deliberadas sobre a mudança do estatuto constitucional da Funai (Fundação Nacional do Índio), que sairia do ministério da Justiça para a pasta dos direitos humanos, Bolsonaro contraria a avaliação de especialistas, que afirmam em carta subscrita pelos coordenadores das 11 Frentes de Proteção Etnoambientais que "A efetividade dessa política [de proteção de povos isolados e de recente contato] faz com que o Brasil continue sendo o país com o maior conjunto conhecido de povos indígenas isolados no mundo".

Para ela, a futura ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, cuja pasta incorporará a Funai, deverá colocar em prática o projeto de transformar a Funai "de órgão responsável pela garantia e defesa dos direitos indígenas e de proteção de seus territórios a entreposto dos interesses das bancadas ruralistas e evangélicas, conforme revelam as declarações de Bolsonaro segundo as quais ele não pretenderá fazer novas demarcações de terras indígenas e que revisará algumas das demarcações feitas".

"Não é difícil entender que a nomeação de Damares Alves, pastora e assessora de Magno Malta, atende às pautas dos setores evangélicos conservadores interessados em criminalizar as culturas nativas e seu modo de vida; prontos a acusá-los dos mais bárbaros crimes que, por sua vez, os autorizarão a espoliá-los de suas terras, sua cultura, seus filhos e de si mesmos. Como se sabe, isso se deve à íntima associação da bancada evangélica ao agronegócio que atrela os interesses econômicos ruralistas ao discurso religioso", afirma.

Leia a íntegra do artigo.

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