Investir em educação 'fecha' prisões, diz especialista francesa

Clara Grisot, cofundadora da associação francesa Prison Insider, que coleta informações sobre as condições das prisões no mundo, afirma que "o que acontece dentro das prisões de países onde há muita violência, como o Brasil, é a exacerbação do que ocorre nas ruas"; segundo Grisot, isso explica a violência que surge regularmente no sistema carcerário do país e também o olhar da sociedade, que inclui o desdém para uma parte dos brasileiros, em relação a massacres como o de Manaus

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247Clara Grisot, cofundadora da associação francesa Prison Insider, que coleta informações sobre as condições das prisões no mundo, afirma que "o que acontece dentro das prisões de países onde há muita violência, como o Brasil, é a exacerbação do que ocorre nas ruas". Segundo Grisot, isso explica a violência que surge regularmente no sistema carcerário do país e também o olhar da sociedade, que inclui o desdém para uma parte dos brasileiros, em relação a massacres como o de Manaus.

Ela ainda diz: "já é tão violento fora que o que acontece dentro das prisões é praticamente algo que não diz respeito à população."

Segundo reportagem da BBC, "Grisot ressalta que o Brasil é um país que cada vez mais coloca pessoas na cadeia. Leis mais duras sobre drogas contribuíram para aumentar o encarceramento. 'O Brasil não esperou o presidente Jair Bolsonaro para prender em grande escala'."

A socióloga concedeu uma entrevista ao site da BBC Brasil. Sobre a questão educação e prisões, ela diz: "Vemos que a sociedade tem uma real falta de empatia em relação às pessoas encarceradas. A passagem pela prisão aniquila o interesse que as pessoas podem ter pelo respeito de direitos fundamentais, pela manutenção de laços familiares e saúde dos detentos. A privação de liberdade parece não ser suficiente, é preciso acrescentar condições deploráveis de detenção, sofrimentos físicos, enquanto não é esse o objetivo da prisão. Ouvimos esse tipo de discurso, não é algo específico do Brasil. É uma visão comum no mundo. O tratamento dado aos presidiários não interessa a quase ninguém, mas constatamos que isso é ainda mais forte nos países com grandes desigualdades sociais."

Sobre a violência endêmica brasileira, ela afirma: "nas sociedades onde há forte violência, espera-se que os presídios sejam ainda mais violentos. É algo que vemos particularmente no Brasil. O que acontece dentro das prisões em países com muita violência é a exacerbação do que acontece nas ruas. Isso explica a violência que surge regularmente no sistema carcerário brasileiro e, certamente, o olhar dos brasileiros sobre a situação do sistema prisional do país. Já é tão violento fora (nas ruas) que o que acontece dentro das prisões é praticamente algo que não lhes diz respeito."

 

 

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