Ivone Silva: o trabalhador vai pagar uma conta que não é dele

A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, destacou que a sistema de aposentadorias não está quebrado, registrando déficit apenas nos últimos anos, com a queda do emprego formal, devido à crise e à reforma trabalhista; "O trabalhador vai pagar uma conta que não é dele"

Rede Brasil Atual - A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, informou que os bancos não abrirão nesta sexta-feira (14), durante a greve geral contra a "reforma" da Previdência. A paralisação foi decidida, por unanimidade, pela categoria. Em entrevista à Rádio Brasil Atual na manhã desta sexta-feira, a dirigente destacou que a sistema de aposentadorias não está quebrado, registrando déficit apenas nos últimos anos, com a queda do emprego formal, devido à crise econômica e à reforma trabalhista do governo Temer. Além disso, o combate à sonegação fiscal e a cobrança dos devedores do INSS seriam formas mais eficazes para aumentar a arrecadação, em vez de cortar direitos.

"O trabalhador vai pagar uma conta que não é dele. Hoje é muito simples. Você abre uma empresa, não paga a Previdência, fecha aquele CNJP e abre outro. Trabalhadores são obrigados a ir à Justiça para garantir acesso ao FGTS, por exemplo, que lhe foi descontado pelo patrão, mas não foi repassado aos cofres públicos", afirmou em entrevista aos jornalistas Marilú Cabanãs e Glauco Faria para o Jornal Brasil Atual. Ela defendeu uma reforma tributária, com aumento da taxação para os ricos, lembrando que os bancos lucram mesmo durante a crise.

A presidenta lembrou o discurso falacioso de que a "reforma" trabalhista criaria empregos. O mesmo é repetido agora, quando a "reforma" da Previdência é apresentada como "salvação" do país. "É tudo conto, historinha. A pergunta é: o Estado serve para quê? Para que pagar imposto, se não tem retorno nenhum e se trabalham somente para os ricos, e não para os trabalhadores? Essa é a disputa. Mais do que a questão da Previdência, é a disputa sobre o Estado que queremos no nosso país. Um estado de bem-estar social ou um estado mínimo, onde não há retorno nenhum."

Segundo Ivone, os bancos públicos também estão sob ataque no governo Bolsonaro, com fechamento de agências, cortes de funcionários e ameaça de vender setores da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. Ela lembrou que, em todo o mundo e também no Brasil, durante o início da crise de 2008, os bancos públicos desempenharam importante papel na recuperação da economia, e agora atuam na contramão, aprofundando ainda mais a retração econômica. "Qual é o sentido do banco público se não for para servir à sociedade, oferecendo crédito para o país? Nas regiões mais afastadas, bancos privados não entram."

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