Janine: Cunha testa os limites da PGR e do STF

Segundo o ex-ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB) só não foi preso por ser quase-chefe de um dos três Poderes, e por isso PGR e STF evitam uma "judicialização da política" que chegue a esse patamar; "Porque, se tiverem que mandar prendê-lo, estão passando um atestado de total incapacidade à Câmara, não é?", diz

Segundo o ex-ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB) só não foi preso por ser quase-chefe de um dos três Poderes, e por isso PGR e STF evitam uma "judicialização da política" que chegue a esse patamar; "Porque, se tiverem que mandar prendê-lo, estão passando um atestado de total incapacidade à Câmara, não é?", diz
Segundo o ex-ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB) só não foi preso por ser quase-chefe de um dos três Poderes, e por isso PGR e STF evitam uma "judicialização da política" que chegue a esse patamar; "Porque, se tiverem que mandar prendê-lo, estão passando um atestado de total incapacidade à Câmara, não é?", diz (Foto: Roberta Namour)
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Por Renato Janine Ribeiro

Michel Temer parece que se saiu mal do episódio da carta. Era de se esperar que a esquerda o demolisse, com a crueldade que manifesta com os ex-aliados. Mas também a direita não gostou dele. No fundo, parece que ele passou a imagem de fraco. O que poderia ser entendido como simplesmente "humano", mas acabou sendo visto como mimimi, tanto que gerou muitos memes na rede.

Hoje ele fez uma declaração muito ruim, apoiando a comissão do Cunha para o impeachment. Está mais que evidente que o voto secreto, na sessão de ontem, não tinha base. Li o Regimento da Câmara que são poucos e precisos os casos em que se pode usar o voto secreto. Entre esses casos, não está o que aconteceu ontem.

Quanto a Cunha, ele está testando os limites da PGR e do STF. Tenho para mim que só não foi preso por ser quase-chefe de um dos três Poderes, e por isso PGR e STF evitam uma "judicialização da política" que chegue a esse patamar. (Porque, se tiverem que mandar prendê-lo, estão passando um atestado de total incapacidade à Câmara, não é?).

O impeachment, apesar dos pesares que foram o caso Delcidio e agora a carta, parece difícil. Isso porque os impeachers estão demasiado aliados a Cunha, até mesmo a Bolsonaro (que está na chapa vitoriosa ontem), e com isso perdem em moral. Sei que há pessoas decentes que defendem o impeachment; o que quero dizer é que o processo está comandado pelo que há de mais preocupante em nossa política, portanto...

O pior mesmo é que, qualquer que seja o final deste ato ou desta peça, problemas restarão a mil. Com Dilma ou sem Dilma, melhorar a economia, torná-la sustentável, garantir a inclusão social, limpar a política serão tarefas necessárias mas difícílimas. Na verdade, essas são as questões principais. Deveríamos pensar mais nelas do que na conjuntura. As nuvens estão escondendo o que está por trás delas, seja a tempestade que ora nos ameaça, seja o sol que temos de reencontrar.

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