Janot é suspeito e deveria renunciar, diz Fernando Brito

"Em lugar de chorar lágrimas afetadas de constrangimento 'pela instituição', o mínimo de decência que se esperaria dele, a dez dias de encerrar seu mandato, seria renunciar e deixar que os subprocuradores, sob a orientação da nova procuradora, Raquel Dodge, conduzissem os inquéritos durante o período de transição", diz o jornalista Fernando Brito, editor do Tijolaço

Janot ouve Fachin em sessão do STF em Brasília 15/3/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino
Janot ouve Fachin em sessão do STF em Brasília 15/3/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino (Foto: Leonardo Attuch)

Por Fernando Brito, editor do Tijolaço

Todos se recordam quando surgiram as primeiras gravações de Joesley Batista, com a conversa com Temer.

Dizia ele que tinha um procurador “no bolso”.

Rodrigo Janot pediu a prisão do procurador Ângelo Goulart, contra o qual nada se apurou até agora.

O procurador “no bolso” era outro: Marcelo Miller, braço direito do próprio Janot.

Os áudios dos diálogos entre Joesley e seu operador Ricardo Saud são instigantes.

Joesley diz que a orientação de Janot seria por “pressão neles (os próprios dirigentes da JBS) para eles entregarem tudo, mas não mexe com eles. Dá pânico neles, mas não mexe com eles”.

Não mexe com eles?

Segundo a Veja, Joesley diz que Janot “sabe tudo”, porque a “turma já falou”.

Questionado se teria sido o procurador Marcelo Miller, ex-auxiliar de Janot que depois passou a trabalhar em escritório de advocacia que atuou para a JBS, o responsável por levar a situação da JBS até ele, Joesley inclui no meio-de-campo Anselmo Lopes, procurador da força-tarefa da Operação Greenfield, e Eduardo Pelella, chefe de gabinete do procurador-geral. “Tá falando para o Anselmo, que falou para o Pelella, que falou para não sei quem lá, que falou para o Janot. O Janot está sabendo”, disse.

Depois, afirma que Janot e Miller vão trabalhar junto com “Cristian” (talvez o advogado Ronne Cristian Nunes, que advoga para a JBS em inúmeros casos) quando deixarem a procuradoria.

Ora, está evidente que, no mínimo, algum grau de suspeição sobre Rodrigo Janot existe e é inaceitável que ele presida um inquérito em que ele próprio é citado.

Em lugar de chorar lágrimas afetadas de constrangimento “pela instituição”, o mínimo de decência que se esperaria dele, a dez dias de encerrar seu mandato, seria renunciar e deixar que os subprocuradores, sob a orientação da nova procuradora, Raquel Dodge, conduzissem os inquéritos durante o período de transição.

Até porque, diante de tudo o que aconteceu, a segunda denúncia contra Temer, com a delação de Lúcio Funaro está, no mínimo, tisnada pela delação dos Batista, nas condições em que está e, evidentemente, fadada a ter seu acordo revogado.

Porque Janot, se quisesse de fato defender a instituição e as investigações, afastaria delas a sua figura ridicularizada, que, a esta altura, presta um serviço aos acusados, ao colocar sob a lama em que se meteu todas as verdades que, ao longo do processo surgiram, inclusive as malas de Rodrigo Rocha Loures e Aécio Neves.

Parte da transcrição dos áudios está neste trecho do Jornal Nacional. A íntegra você pode ver aqui.

 

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