jornalista explica em 8 pontos o absurdo presente na defesa do trabalho infantil

Após Jair Bolsonaro defender o trabalho infantil, a jornalista Flávia Oliveira, da Globo News, usou sua conta no Twitter para rechaçar a proposta; “Incrédula sobre termos retrocedido tanto no debate socioeconômico brasileiro", disse ela

(Foto: Agência Brasil)

247 - Após Jair Bolsonaro defender o trabalho infantil, a jornalista Flávia Oliveira, da Globo News, usou sua conta no Twitter para rechaçar a proposta. “E eu incrédula sobre termos retrocedido tanto no debate socioeconômico brasileiro. Um tema que parecia ‘pacificado’ em relevância, diagnóstico e políticas públicas ressuscita do pior jeito”, disse ela

1) Thread que recomendo sobre efeitos perversos do trabalho infantil. E eu incrédula sobre termos retrocedido tanto no debate socioeconômico brasileiro. Um tema que parecia “pacificado” em relevância, diagnóstico e políticas públicas ressuscita do pior jeito.

2) Jura que quase no fim da segunda década do século XXI tem gente comparando exploração de mão de obra na infância com vender brigadeiro em escola classe média? O Brasil tem criança em lixão, casa de família, em lavoura, em sinais de trânsito nas cidades, no crime.

3) Vem desse quadro debate e as políticas sobre universalização matrículas, transferência de renda (Bolsa Família), busca ativa contra evasão. Estamos na era do conhecimento, em que formação vale muito, trabalho braçal cada vez menos. Em vez de avançar, retrocedemos no debate.

4) Que tal compartilhar o quanto a educação, um professor, uma formação dignificaram o futuro de adultos não submetidos ao trabalho infantil? O quanto a possiblidade de aprender uma língua estrangeira, tocar um instrumento, acessar o mundo digital transformou vidas?

5) Não ter trabalhado na infância e na adolescência foi fundamental para eu ter concluído os níveis básicos e superior. E, com eles, ter mudado minha vida. Agradeço a minha mãe, mulher pobre, cinco anos de estudo, nordestina, por sempre ter me cobrado a educação formal.

6) Sou produto da educação pública e gratuita, não do trabalho precoce. Me orgulho disso. Sei que muitos dos meus amigos de Irajá interromperam os estudos, porque precisaram trabalhar para ajudar os pais. Isso confina as pessoas à precariedade.

7) Gerações de mulheres negras brasileiras tiveram como única porta de entrada no mercado o trabalho doméstico. Foram privadas, ainda meninas ou adolescentes, da educação formal para terem só em 2015 direitos trabalhistas de uma legislação septuagenária.

8) É o investimento maciço em educação de qualidade que permite melhora mobilidade social, no bem-estar. A exploração de mão de obra infanto-juvenil não faz isso.

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