Luis Miguel critica Weintraub: não se importa se o sistema paralisar

"Já ficou evidente que o novo ministro da Educação é tão despreparado para o cargo quanto o anterior. Mas, diz a imprensa, Bolsonaro está satisfeito com ele. Claro: é mais belicoso e mais grosseiro", diz o analista político Luis Felipe Miguel; Abraham Weintraub "não importa se o resultado for a paralisia completa do sistema", critica

Luis Miguel critica Weintraub: não se importa se o sistema paralisar
Luis Miguel critica Weintraub: não se importa se o sistema paralisar

Por Luis Felipe Miguel, em seu Facebook

Já ficou evidente que o novo ministro da Educação é tão despreparado para o cargo quanto o anterior. Mas, diz a imprensa, Bolsonaro está satisfeito com ele. Claro: é mais belicoso e mais grosseiro.

Em menos de um mês no cargo, já demonstrou várias vezes seu desconhecimento do instituto da autonomia universitária e da Constituição em geral, seu desprezo pela educação, pela pesquisa e pelo conhecimento, seu racismo e seu autoritarismo. Informado de que sua retaliação contra algumas universidades era crime, resolveu a questão decidindo retaliar todas de uma vez. Está mandando o recado de que vai promover uma censura ideológica às bolsas de estudo. Hoje, agrediu os reitores pelo Twitter.

Uma das tragédias do Brasil é que nossas elites políticas e econômicas são tão tacanhas e estúpidas que não conseguem sequer assimilar o valor instrumental da educação. Os bolsonarianos investem contra ela sem pudor, para delírio de sua plateia de jeguificados. E seus parceiros de ocasião do conservadorismo tradicional mantêm um silêncio encabulado. Certamente fazem as contas e julgam que, se o preço a pagar pelas destruição dos direitos for a destruição também de todo o sistema educacional, vale a pena.

O projeto é a destruição - nada além disso.

Isso exige novas formas de resistência. Weintraub aposta no confronto total porque, ao contrário de ministros da Educação conservadores do passado, para ele não importa se o resultado for a paralisia completa do sistema.

Alguns colegas têm falado em greve. Penso que não é a melhor alternativa. Acho que é hora da universidade brasileira sair dos campi. Levar as aulas para as ruas, mostrar ao Brasil quem somos, o que fazemos, como impactamos no desenvolvimento nacional e na busca por uma sociedade menos injusta e menos violenta.

É à sociedade brasileira, que nos sustenta, que devemos servir, produzindo conhecimento, formando profissionais e dialogando com seus diversos segmentos. Vamos a ela.

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