Maioria das mulheres negras no Brasil não exercem trabalho remunerado, diz estudo

Pesquisa aponta que menos da metade das mulheres negras no Brasil exerce algum trabalho remunerado. Além disso, apenas 8% das que trabalham formalmente ocupam cargos de liderança, de gerente, diretora ou sócia proprietária

(Foto: REUTERS/Pilar Olivares)
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247 - Pesquisa realizada pela consultoria ‘Indique Uma Preta” e pela empresa Box1824 aponta que menos da metade das mulheres negras no Brasil exerce algum trabalho remunerado. Além disso, apenas 8% das que trabalham formalmente ocupam cargos de gerente, diretora ou sócia proprietária. A reportagem é do jornal Folha de S. Paulo. Das entrevistadas, 54% não exerciam trabalho remunerado e, destas, 39% estavam em busca por emprego.

A pesquisa “Potências (in)visíveis: a realidade da mulher negra no mercado de trabalho”, que será lançada nesta quarta-feira (28), entrevistou mil mulheres negras, com idades entre 18 e 65 anos, entre os meses de março e setembro deste ano.

Na fatia de 46% que estava trabalhando, 20% estavam ocupadas como autônomas. Das empregadas no mercado de trabalho formal, apenas 2% ocupavam cargos de diretora, 3% de sócia proprietária e outros 3% de gerente.

Presidentes e vice-presidentes eram tão poucas que, na pesquisa, o percentual arredondado é de 0%, embora haja casos isolados, principalmente no Nordeste.

A maioria das empregadas no setor formal eram assistentes ou auxiliares (23%), profissionais de administrativo ou operacional (18%), analistas (8%) e estagiárias ou trainees (5%).

Das entrevistadas, 51% relataram já ter escutado piadas relacionadas a cor, cabelo ou aparência no ambiente de trabalho; 49% disseram já terem se sentido desqualificadas profissionalmente, mesmo tendo a formação necessária para ocupar tal espaço; e 37% contaram que tiveram uma opinião, posicionamento ou ideia silenciada, enquanto a opinião de pessoas brancas eram ouvidas ou valorizadas.

“Apesar de a população negra ser a maioria da população, ela é ao mesmo tempo a mais subutilizada e mais desocupada. É uma força de trabalho ativa que não consegue entrar no mercado de trabalho e acaba exercendo suas habilidades aquém do que poderia”, declara Malu Rodrigues, pesquisadora  da Box1824

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