Marcelo admite ter mandado destruir provas da corrupção na Odebrecht

Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira que leva o nome da família, admitiu em sua delação premiada que mandou destruir provas da corrupção e da lavagem de dinheiro que tinham participação da empresa; Marcelo alertou a executivos para destruírem computadores e celulares, além de ordenar uma varredura contra grampos na companhia; "vocês não vão ter nada em seus computadores de coisas que vão comprometer a empresa”, disse o ex-presidente da Odebrecht a executivos; ironicamente, quando foi alvo pela primeira vez das denúncias do Ministério Público Federal, em Curitiba, Odebrecht reagiu duramente e negou qualquer atuação para tentar obstruir a Justiça ou dificultar as investigações

Marcelo Odebrecht 
Marcelo Odebrecht  (Foto: Giuliana Miranda)

247 - Marcelo Bahia Odebrecht, o ex-presidente do maior grupo empresarial alvo da Operação Lava Jato, confirmou em sua delação premiada que ordenou que provas da corrupção e da lavagem de dinheiro fossem destruídos.

Um dos episódios, é uma anotação apreendida pela apreendida pela Polícia Federal, e destacada na denúncia criminal contra ele, em que ele escreveu “MF / RA – Higienizar apetrechos”. O material foi recolhido na 14ª fase, deflagrada em 19 de junho de 2015, quando Odebrecht foi preso – ele continua na cadeia, em Curitiba.

As informações são de reportagem de Luiz Vassallo, Fausto Macedo Ricardo Brandt e Julia Affonso no Estado de S.Paulo.

“'Quando foi deflagrada em novembro de 2014 e teve buscas e apreensões de Márcio e Rogério eu alertei eles, a primeira coisa: vocês não vão ter nada em seus computadores de coisas que vão comprometer a empresa', afirmou o delator, no Termo 45.

'Estava mencionando duas questões aí: tanto eles terem coisas que comprometessem como também a essa altura do campeonato eu estava preocupado com grampos, imaginávamos que o pessoal poderia estar fazendo grampos de qualquer natureza', afirmou o delator.

'Alertei isso a eles e com certeza mencionei com outros executivos, mas na época o pessoal do jurídico me alertou logo depois: ‘Olha vamos olhar questão de grampos e de rastreamento, mas não vamos fazer destruição porque caracteriza destruição de provas'', disse Marcelo.

Quando foi alvo das denúncias do Ministério Público Federal, em Curitiba, Odebrecht reagiu duramente e negou qualquer atuação para tentar obstruir a Justiça ou dificultar as investigações.

O delator disse que pessoalmente não apagou material, mas pode ser que algum executivo tenha destruído provas.
'Quando tomei a iniciativa não estava pensando nisso, aí tomei consciência. Tanto assim, que eu não apaguei nada. E até o pessoal me falou? Marcelo além de ser destruição de provas, é improdutivo. Porque depois que está no meio digital você não consegue apagar, esqueça.'"

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