Mark Weisbrot: “Não é o fim. Enquanto estiver vivo, Lula desempenha um papel importante”

Em entrevista ao Nocaute, o economista norte-americano Mark Weisbrot avalia que o Brasil terá que ser reconstituído como uma forma de democracia eleitoral muito mais limitada, "na qual um judiciário politizado pode excluir um líder político popular de concorrer a um cargo público. Isso seria uma calamidade para os brasileiros, para a região, e para o mundo"

Em entrevista ao Nocaute, o economista norte-americano Mark Weisbrot avalia que o Brasil terá que ser reconstituído como uma forma de democracia eleitoral muito mais limitada, "na qual um judiciário politizado pode excluir um líder político popular de concorrer a um cargo público. Isso seria uma calamidade para os brasileiros, para a região, e para o mundo"
Em entrevista ao Nocaute, o economista norte-americano Mark Weisbrot avalia que o Brasil terá que ser reconstituído como uma forma de democracia eleitoral muito mais limitada, "na qual um judiciário politizado pode excluir um líder político popular de concorrer a um cargo público. Isso seria uma calamidade para os brasileiros, para a região, e para o mundo" (Foto: Aquiles Lins)

Por Aline Piva, no Nocaute - O economista norte-americano Mark Weisbrot vem captando as atenções da mídia no Brasil. Um artigo de sua autoria, recém-publicado pelo jornal The New York Times, traz uma análise bastante desalentadora sobre as consequências do julgamento de Lula, caso os juízes do TRF-4 decidam pela confirmação da sentença contra o ex-presidente Lula. Para Weisbrot, “o Brasil terá que ser reconstituído como uma forma de democracia eleitoral muito mais limitada, na qual um judiciário politizado pode excluir um líder político popular de concorrer a um cargo público. Isso seria uma calamidade para os brasileiros, para a região, e para o mundo”.

Em entrevista exclusiva para o Nocaute, que será publicada na íntegra nessa quarta-feira (24), Weisbrot comenta as prováveis consequências de uma condenação de Lula, o possível papel dos Estados Unidos no golpe parlamentar contra Dilma Rousseff, e como o ativismo político do judiciário brasileiro vem contribuindo para a deterioração do Estado de Direito no Brasil.

Mark Weisbrot: Eu acredito que o primeiro problema é a evidência. Há um documento de 230 páginas da sentença do juiz Sérgio Moro e não se pode realmente encontrar nenhuma evidência documental de que o presidente Lula ou sua esposa aceitaram suborno de nenhum tipo. E claro, as acusações de lavagem de dinheiro são uma extensão disso. Então, sem propina, também não há lavagem de dinheiro. Então todo o caso, sem nenhuma prova que corrobore, sem nenhuma prova documental, outras testemunhas, gira em torno do testemunho de Pinheiro, que era um executivo da construtora OEA, e ele teve mais de 80% da sua pena de 16 anos reduzida pelo seu testemunho contra Lula. E é ainda pior que isso: Folha de S.Paulo publicou que o acordo de delação premiada foi suspenso por um tempo, porque primeiro ele deu a mesma versão de Lula sobre esse apartamento, que é supostamente o suborno.

Então eles cortaram seus acordos de delação até que ele mudasse sua história e desse a eles uma história que implicasse Lula em um crime. Mas isso não é suficiente para condenar Lula. Quer dizer, uma testemunha, nenhuma outra testemunha. Quero dizer, é um apartamento. Ele é supostamente o proprietário. Deveria haver alguma evidência de que ele era o proprietário. E eles não têm isso. Então isso é a primeira coisa. Ele não tinha um caso para condenar alguém. E você sabe, é interessante, quando eu escrevi esse artigo, no final, os editores do [New York] Times decidiram que eles queriam links em inglês, e não em português – o que faz sentido, já que é uma publicação em inglês. E eu pensei: “ok, isso deve ser fácil”. Sabe, a maioria desses fatos que eu acabei de te dizer, eu não conseguia acha-los em nenhum lugar em inglês. Então eu tenho certeza que eles também não estavam em todas as partes na imprensa brasileira, mas pelo menos você poderia encontra-los. E aqui eu não conseguia encontrar alguns dos fatos mais importantes sobre o caso. Então isso te fala muito sobre o tipo de trabalho que a imprensa internacional fez sobre isso.

Agora, a outra coisa sobre isso, claro, é a parcialidade já demonstrada do juiz Moro, em primeiro lugar, que fez um número de coisas para mostrar que ele era contra Lula – uma delas foi organizar aquela batida policial na sua casa, quando Lula já tinha se voluntariado a responder seu interrogatório, estava disposto a se submeter a ainda mais interrogatórios, e ele enviou a polícia para sua casa e o leva à força, o mantem detido, e avisa a mídia com antecedência, para que eles pudessem gravar todo o espetáculo. Então aquilo foi muito ruim, e então ele ilegalmente vazou para a imprensa – ele teve que se desculpar para a Suprema Corte por isso – ele vazou essas conversas entre Lula e seu advogado, Lula e Dilma, e outras conversas privadas.

Então isso é suficiente, quero dizer, nos Estados Unidos, um juiz como esse seria, para dizer o mínimo, afastado do julgamento. E aí está ele, sendo pintado como um herói, e ele é pintado como um herói nos Estados Unidos. De fato, ele veio para os Estados Unidos. Ele tinha uma bolsa de pesquisa do Departamento de Estado aqui nos Estados Unidos, e ele veio para cá várias vezes. Então ele parece ser muito bem conectado, como o establishment de política externa aqui e isso também levantou muitas suspeitas quanto às suas motivações.

Leia a entrevista na íntegra.

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