MEC adota método fônico para a alfabetização de crianças e jovens

O Ministério da Educação (MEC) lançou caderno que apresenta a Política Nacional de Alfabetização que adota o método fônico para a alfabetização de crianças e jovens. Para a professora emérita da UFMG, Magda Soares, “pensar que se resolve a alfabetização com o método fônico é uma ignorância”

(Foto: Rafael Carvalho/ABR)

247 - O Ministério da Educação (MEC) lançou, nesta quinta-feira, o caderno que descreve a Política Nacional de Alfabetização e defende o método fônico para a alfabetização de crianças e jovens, ou seja, a associação entre o símbolo e seu som. 

A proposta foi publicada em decreto assinado por Jair Bolsonaro em abril deste ano. Agora, o plano apresentado pelo MEC elenca em seus princípios seis componentes essenciais para alfabetização: consciência fonêmica, instrução fônica sistemática, fluência em leitura oral, desenvolvimento de vocabulário, compreensão de textos e produção escrita.

O texto também defende que a educação deve ser baseada em “evidências científicas” e afirma que a consciência fonológica como "essencial" no processo de aprendizagem e escrita. 

Para especialistas, o sistema despreza as variações e imprecisões da língua falada. Segundo Sirio Possent, professor do Departamento de Línguistica da Unicamp, os que dizem que a solução está no método fônico não conhecem fonologia, nem sistemas de escrita e nem variação linguística. 

"Quando um estudante de lingüística (ou de letras, se tiver sorte), é apresentado à transcrição fonética e depois à análise fonológica, ele compreende que não poderá mais dizer certas bobagens. Mal comparando, produz-se um efeito análogo entre o que se vê de tarde (quando o sol se põe) e o que se sabe que acontece: a Terra gira para cá, o que faz com que pareça que o Sol desça para lá", escreveu ele em artigo na Rede Brasil Atual.

Para a professora emérita da UFMG, Magda Soares, “pensar que se resolve a alfabetização com o método fônico é uma ignorância”.

“O que ocorre nesse País inteiro é a predominância de escolas públicas com infraestrutura muito insatisfatória, com professores mal formados, salários miseráveis. Pensar que se resolve a alfabetização com o método fônico, é um simplismo, uma ingenuidade, uma ignorância, que me deixa indignada”. disse ela em entrtevista à Carta Capital.

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