MEC muda regra de segurança e alunos relatam invasões no Sisu

O Ministério da Educação do governo Temer, comandado pelo ministro Mendonça Filho, mudou a regra de troca de senha do Enem na edição de 2016, flexibilizando o acesso individual dos candidatos no sistema online, e passou a ter problemas de invasão; a edição de 2016 do exame foi a primeira que não exigiu a "verificação em duas etapas" para recuperar senha; estudantes relatam invasões no Sisu (Sistema de Seleção Unificada) e acabaram sendo cadastrados por hackers em cursos que não tinham interesse

O Ministério da Educação do governo Temer, comandado pelo ministro Mendonça Filho, mudou a regra de troca de senha do Enem na edição de 2016, flexibilizando o acesso individual dos candidatos no sistema online, e passou a ter problemas de invasão; a edição de 2016 do exame foi a primeira que não exigiu a "verificação em duas etapas" para recuperar senha; estudantes relatam invasões no Sisu (Sistema de Seleção Unificada) e acabaram sendo cadastrados por hackers em cursos que não tinham interesse
O Ministério da Educação do governo Temer, comandado pelo ministro Mendonça Filho, mudou a regra de troca de senha do Enem na edição de 2016, flexibilizando o acesso individual dos candidatos no sistema online, e passou a ter problemas de invasão; a edição de 2016 do exame foi a primeira que não exigiu a "verificação em duas etapas" para recuperar senha; estudantes relatam invasões no Sisu (Sistema de Seleção Unificada) e acabaram sendo cadastrados por hackers em cursos que não tinham interesse (Foto: Gisele Federicce)

247 - O Ministério da Educação do governo de Michel Temer, comandado pelo ministro Mendonça Filho, mudou a regra de troca de senha do Enem na edição de 2016, flexibilizando o acesso individual dos candidatos no sistema online.

A mudança - a edição de 2016 do exame foi a primeira que não exigiu a "verificação em duas etapas" para recuperar senha - fez com que surgissem problemas de invasão no Sisu (Sistema de Seleção Unificada), conforme relatos de estudantes, que em alguns casos, acabaram sendo cadastrados por hackers em cursos que não tinham interesse.

Em nota, o Ministério da Educação informou que "os sistemas do MEC e do Inep não registraram, até o momento, indício de acesso indevido a informações de estudantes cadastrados, que configure incidente de segurança". Leia a íntegra:

Sobre suposto hackeamento dos sistemas do Sisu e Enem, o MEC e o Inep esclarecem:

1- Os sistemas do MEC e do Inep não registraram, até o momento, indício de acesso indevido a informações de estudantes cadastrados, que configure incidente de segurança;

2- Há relatos na imprensa de casos pontuais de acesso indevido a dados pessoais de candidatos, que teriam possibilitado mudança de senha e de dados de inscrição, como a opção de curso. A senha é sigilosa e só pode ser alterada pelo candidato ou por alguém que tenha acesso indevidamente a dados pessoais do candidato;

3- Casos individuais que forem identificados e informados ao MEC, como suposta mudança indevida de senha e violação de dados, serão remetidos para investigação da Polícia Federal. Nos dois casos citados pela imprensa, o Inep já identificou no sistema data, hora, local, operadora e IP de onde partiram as mudanças de senha. Os dados serão encaminhados para a Polícia Federal;

4- Ressaltamos, também, que todas as ações realizadas no sistema são gravadas em log (registro de eventos em um sistema de computação), de forma a possibilitar uma auditoria completa;

5- A Secretaria de Educação Superior (Sesu) destaca que a atual gestão assumiu a pasta em maio de 2016, com o processo do Enem 2016 em curso, na última semana de inscrições. Por isso, todo o sistema de operacionalização do Enem 2016, definido na gestão anterior, estava em funcionamento e não pôde ser alterado no meio do processo;

6- Para o Enem 2017, as equipes do Inep e da Sesu estão trabalhando para aperfeiçoar o exame, de forma a garantir segurança e tranquilidade aos inscritos.

Casos

Gabriela de Souza Ribeiro – 
A candidata que alega ter tirado nota mil na redação do Enem 2016, na verdade, obteve 460 pontos. Constam dos registros do Sisu acessos com os dados da candidata nos dias 24 e 29 de janeiro, respectivamente, às 11h30 e 12h33, e em nenhum deles foi realizada inscrição em qualquer curso.

Terezinha Gomes Loureiro Gayoso – Constam dos registros do Sisu acessos nos dias 24 e 29 de janeiro, respectivamente, às 12h15 e 22h12. O sistema também apresenta três tentativas de acessos sem sucesso (no dia 24 de janeiro, sendo dois deles às 20h06 e o último às 20h07). A única opção de escolha de curso que está registrada é a do curso de produção de cachaça do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Norte de Minas Gerais – Campus Salinas, realizada no dia 29 de janeiro às 22h14, conforme último acesso registrado no Sisu. A candidata concorreu à vaga na modalidade de candidatos com renda familiar bruta per capita igual ou inferior a 1,5 salário mínimo que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas (Lei nº 12.711/2012). Cabe ressaltar que, em 2011, a referida candidata ficou na lista de espera do Sisu pelo curso de medicina. (Assessoria de Comunicação Social)

Leia nota do ex-ministro da Educação Aloizio Mercadante sobre o assunto: 

"Todas as edições do Enem e do Sisu, realizadas durante a gestão do então ministro Aloizio Mercadante, ocorreram dentro da normalidade, sem problemas nos sistemas dos referidos programas ou na área de tecnologia da informação do Ministério da Educação. O processo de inscrição do Enem 2016, que também foi planejado na gestão de Mercadante, transcorreu da mesma forma, ou seja, sem incidentes no sistema.

As mudanças nos mecanismos de segurança e controle destes programas, adotadas para a divulgação dos resultados do Enem 2016 e para as inscrições no Sisu 2017, são decisões de inteira responsabilidade do atual ministro, que mais uma vez tenta atribuir à Mercadante as dificuldades de gestão que possui.

Na realidade, o que se constata é que os participantes do Enem 2016 pagam pela decisão da atual gestão do Ministério de desmontar uma equipe técnica experiente e qualificada na área de tecnologia da informação do órgão para aparelhamento político. É inaceitável, por exemplo, que uma participante do Enem, que tirou nota mil na redação e que se inscreveu para o curso de medicina, esteja de fato inscrita no curso de produção de cachaça, fato que nunca aconteceu anteriormente na história do Ministério da Educação.

A atual gestão do MEC não conseguiu estruturar uma equipe de informática, com isso, o órgão passa por um problema estrutural na área, que já foi verificado na confirmações de matrículas na segunda edição do Fies de 2016, nos problemas para participantes verificarem as notas do Enem 2016, nas dificuldades para realização de matrículas no Sisu 2017, no adiamento das matrículas do ProUni e Fies 2017 por preocupações técnicas ainda não esclarecidas e, agora, com alunos inscritos em cursos para os quais não solicitaram inscrição.

Mais uma vez, pagam os estudantes, as famílias e toda a sociedade pelas dificuldades de gestão e pelo aparelhamento político realizado pelo atual ministro no Ministério da Educação.

Assessoria Mercadante"


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