Mercadante: Banco Mundial não é refúgio para fugitivos da Justiça

Ex-ministro da Educação defende que o Banco Mundial rejeite a indicação de Abraham Weintraub, que já admitiu que sua prioridade é sair o quanto antes do Brasil. “Como ele mesmo declarou, quer ir ao Banco Mundial para fugir de uma possível prisão”, lembra Mercadante

Aloizio Mercadante e Abraham Weintraub
Aloizio Mercadante e Abraham Weintraub (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | Lula Marques)
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Por Aloizio Mercadante, em nota - Embora as indicações do Brasil ao Banco Mundial nunca tenham sido rejeitadas, creio que a nomeação do inacreditável Weintraub terá um caminho difícil.

Em primeiro lugar ele terá de ser aceito pelos demais países da constituency do Brasil, a saber Colômbia, Filipinas, Equador, República Dominicana, Haiti, Panamá, Suriname e Trinidad e Tobago. Esses países podem não se sentir confortáveis sendo representados por uma figura nula, caricatural e com problemas na justiça como Weintraub. Como ele mesmo declarou, quer ir ao Banco Mundial para fugir de uma possível prisão.

Ora, o Banco Mundial não é refúgio para procurados pela justiça.

Em segundo, a indicação terá de ser aprovada pelo Board dos governadores. 

A China, depois das últimas mudanças na estrutura de poder do Banco Mundial, já tem o terceiro maior poder de voto.  Me parece que a China não vai aceitar passivamente a nomeação de Weintraub, um sujeito completamente despreparado, que declarou publicamente seu ódio aos “comunistas chineses”.

Além disso, o perfil de Weintraub é totalmente incompatível com o Código de Conduta da instituição, que exige respeito a todos os países membros, não-interferência, perfil discreto nas redes sociais, grande preparo técnico etc.

Ter trabalhado no Banco Votorantim não o qualifica para ser diretor do Banco Mundial. São coisas completamente diferentes. O Banco Mundial é uma instituição multilateral. Os diretores, além de economistas de renome, têm de ser também especialistas em relações internacionais e ter grande habilidade diplomática para lidar com os inúmeros interesses representados na instituição. Um perfil oposto ao de Weintraub.

Em todo caso, se Weintraub for aprovado, causará um estrago enorme ao Brasil, aos demais países representados e ao Banco Mundial.

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