Mercadante: Brasil ainda pode resgatar um projeto nacional

Em programa de estreia na TV 247, "Brasil Primeiro", o ex-ministro Aloizio Mercadante faz um resgaste dos três ciclos de desenvolvimentismo no Brasil e considera que há saída para resgatar a soberania brasileira depois do golpe de 2016; "Já superamos momentos piores", considera; assista à íntegra

Mercadante: Brasil ainda pode resgatar um projeto nacional
Mercadante: Brasil ainda pode resgatar um projeto nacional (Foto: Editora Brasil 247 | Divulgação)

TV 247 - A TV 247 lançou nesta semana o programa semanal "Brasil Primeiro", que será apresentado pelo ex-ministro Aloizio Mercadante e tratará sobre grandes projetos para o País. Na estreia, Mercadante faz um resgaste dos três ciclos de desenvolvimentismo no Brasil e considera que, mesmo com as mazelas do golpe, há saídas para resgatar a soberania brasileira. 

Questionado sobre a dificuldade histórica dos governos nacionalistas estabelecerem-se no Brasil, Mercadante explica que o passado colonial e escravista são pontos extremante negativos na história da nação. "Esse legado deixou marcas muito dramáticas, e uma delas é o atraso educacional. Em 1920, 75% da população brasileira era analfabeta", destaca.

Vargas: o início de um ciclo

Para Mercadante, o ex-presidente Getúlio Vargas foi o grande arquiteto do Estado Nacional brasileiro, assumindo também um compromisso com a industrialização do País. "Libertando o Brasil do modelo primário-exportador-agrário, trazendo um Estado desenvolvimentista e pleno. Porém, acabou encurralado no Palácio do Catete (RJ) por golpistas como Carlos Lacerda", elucida.

JK dá sequência ao segundo ciclo de desenvolvimento 

Após o suicídio de Vargas e o adiamento do golpe militar em dez anos, que só ocorreria em 1964, Juscelino Kubitschek foi eleito com a prioridade de industrializar o País.

"Ele envolveu setores estratégicos do empresariado e promoveu, com isso, o desenvolvimento do Brasil, atraindo empresas estrangeiras e gerando toda uma cadeia produtiva. Porém, ele vai ao limite da capacidade financeira do Estado e se atrela ao endividamento externo, gerando uma crise financeira cambial", relata Mercadante.

Ele avalia que o período da ditadura militar retomou o desenvolvimento do Brasil dos tempos de Vargas e Kubitschek, mas trouxe o arrocho salarial, fruto de um modelo concentrador de renda. "As pessoas têm saudade do quê? Não havia liberdade alguma, mas sim censura, assassinatos e tortura. A democracia dá trabalho, mas é a único caminho de corrigir os erros do governo e ir permitindo a renovação política", aponta.

O ex-ministro destaca ainda os anos 90 como uma década muito difícil. "O País completamente atrelado ao Fundo Monetário Internacional (FMI), com baixíssimo caixa e uma imensa dívida pública", recorda, ao condenar as políticas neoliberais do então presidente tucano Fernando Henrique Cardoso.

Lula: terceiro ciclo de desenvolvimento 

Aloizio Mercadante retoma seu balanço das eras desenvolvimentistas citando Lula. "A primeira tarefa de Lula como presidente foi estabilizar a economia e a política externa brasileira, e ele usou a integração latino-americana, ampliando mercados, acumulando reservas. Foi um período de forte ajuste fiscal nas contas públicas", explica. E acrescenta: "Lula lançou programas sociais como o Fome Zero, modelo reconhecido internacionalmente pela eficiência". 

Questionado sobre o que difere Lula dos ex-presidentes Juscelino Kubitschek e Getúlio Vargas, Mercadante considera que o compromisso com a estabilidade econômica difere Lula de JK e a obrigação com a democracia é o principal fator que o distingue de Vargas. "Mesmo num Estado de Exceção, Lula seguiu a democracia e luta por sua liberdade", reitera.

"Podemos resgatar o projeto nacional"

Indagado se é executável resgatar o país do cenário de destruição promovido pelo golpe de 2016, Mercadante é enfático: "Sim, é possível". 

"Eu tenho total convicção de que é realizável, o ex-presidente Collor destruiu o país e logo depois a onda neoliberal causou imensos prejuízos, mas conseguimos resistir, dá pra reverter e reconstruir muita coisa. No passado era muito pior, devíamos ao FMI US$ 41 bilhões", destaca. 

Ele aponta como saída da crise o reconhecimento que o Brasil profundo tem das melhorias promovidas pelas gestões petistas à frente da presidência. "Isso será fundamental nas eleições de 2018. O Lula tem que mostrar o que ele fez", propõe. 

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