Mercadante: ‘O Brasil esperava um Plano Marshall e recebeu um Plano Madero’

Ao comentar a crise do coronavírus, o ex-ministro Aloizio Mercadante afirmou que “o Brasil esperava um Plano Marshall e recebeu um Plano Madero. O governo não coordena, não fez um plano estratégico e fica criando tensões descabidas com prefeitos e governadores”

Aloizio Mercadante, Jair Bolsonaro e Junior Durski
Aloizio Mercadante, Jair Bolsonaro e Junior Durski (Foto: Ministério da Educação | PR | Reprodução)
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247 - O ex-ministro da Casa Civil Aloizio Mercadante, que também foi titular da Educação, afirma que Jair Bolsonaro é prisioneiro do “terraplanismo sanitário” e o governo demora em apresentar respostas à crise do coronavírus. As secretarias estaduais de Saúde divulgaram, que até 11h40 de quinta-feira (26), foram registrados 2.589 casos confirmados do novo coronavírus no Brasil, com 63 mortos, 48 deles em São Paulo.

“O Brasil esperava um Plano Marshall e recebeu um Plano Madero. O governo não coordena, não fez um plano estratégico e fica criando tensões descabidas com prefeitos e governadores”, disse o ex-ministro em referência a Junior Durski, dono da cadeia de restaurantes Madero. Recentemente, o empresário alertou para os danos econômicos da quarentena, apesar do risco de morte para a população. A entrevista foi concedida à Coluna do Estadão.

Questionado sobre os pedidos de impeachment contra Bolsonaro, o ex-ministro afirmou que, "neste momento, o Congresso só pode funcionar de forma remota e só votará emergências e pautas consensuais. Por isto, os pedidos de impeachment estão de quarentena. Mas seguramente voltarão com muita força depois desta pandemia", disse. "O governo não tem diagnóstico, centralidade, subestimou a crise". 

Soluções

O ex-ministro afirmou que, "com esse nível de desigualdade e pobreza, temos um imenso desafio para o isolamento social". "Não tem como propor isolamento nas comunidades, periferias, favelas sem acolhimento. Garantir uma renda mínima para as famílias. Pelo critério do Cadastro Único, é possível dar o benefício de forma quase imediata: um salário mínimo", continua.

"Nossa segunda diretriz é o fortalecimento do SUS. Não pode ter restrição orçamentária. Tem que construir leitos improvisados, ampliar UTI, ventiladores, equipes de saúde da família, para poder dar uma resposta eficiente. Tem que construir leitos improvisados, ampliar UTI, ventiladores, equipes de saúde da família, para poder dar uma resposta eficiente", acrescenta.

De acordo com Mercadante, "a nossa terceira resposta é ajudar às empresas, mas com algumas medidas para não repetir a crise de  2009, quando o Banco Central injetou muito dinheiro, mas não havia restrição de pagamento de bônus pros Executivos, nem limite dos salários". "Para garantir que os recursos cheguem na ponta, sugerimos essas restrições".

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