Mercadante sobre o Pisa: temos um governo e uma equipe no MEC que não têm nenhum apreço pela Educação

O ex-ministro da Educação Aloizio Mercadante comentou na TV 247 os resultados do Pisa 2018, um programa internacional de avaliação de estudantes, e rebateu as críticas do atual ministro da Educação, Abraham Weintraub que, mais uma vez, culpou o PT, fora do governo há 5 anos, pelo péssimo desempenho da Educação brasileira. “O atual governo não criou uma iniciativa em termos de formação docente, não tem nenhum programa de apoio ao Ensino Médio”, afirmou. Assista

247 - O ex-ministro da Educação Aloizio Mercadante analisou os resultados do Pisa 2018 (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) em programa na TV 247, explicou os métodos do exame e rebateu as críticas ideológicas do atual ministro da Educação, Abraham Weintraub, que mais uma vez culpou o PT sem qualquer base argumentativa.

Ele explicou que o Pisa, apesar de ser um importante indicador e que deve ser levado em consideração, tem muitas falhas em seus métodos. O primeiro problema, segundo o ex-ministro, é a amostragem do exame. Uma parcela pequena dos estudantes é avaliada e, além disso, alunos de diferentes realidades do Brasil são colocados em comparação com alunos de regiões nobres de outros países.

“A China, por exemplo, só permite participar do Pisa a província de Xangai, que é a mais rica do país. Eles estão em primeiro lugar, mas é mais ou menos como se eles estivessem correndo 100 metros e a gente uma maratona de 42 quilômetros. A amostra do Brasil são jovens de 15 anos, tem jovens de zona rural, tem jovens fora da série do Ensino Médio, com atraso, escolas muito sérias, enfim, é uma amostra totalmente variada que eles escolhem com total liberdade, então isso dá uma defasagem. É uma amostra muito pequena”.

Para ele, a aplicação da prova ser no computador também é uma dificuldade para muitos estudantes brasileiros que, muitas vezes, não têm este tipo de instrumento incorporado em sua rotina de estudos. “Eles têm uma dificuldade com o instrumento pelo qual o exame é feito. Isso também dá uma defasagem importante”.

Mercadante ressaltou que o aluno, assim como o corpo docente, não tem motivação para participar do exame porque o Pisa não oferece devolutivas. Neste sentido, o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) é mais preciso em seus resultados porque requer empenho de todos os setores da Educação, do aluno à Secretaria de Educação, segundo o ex-ministro. “O aluno não tem nenhuma motivação, nenhum incentivo para fazer o exame. É diferente do exame de avaliação das escolas, o Ideb, que analisa o fluxo escolar e o desempenho, a proficiência nas áreas básicas. No Ideb a escola está sendo avaliada, a classe está sendo avaliada, então o diretor está empenhado, os professores estão empenhados, a Secretaria Municipal e Estadual de Educação estão empenhadas. No caso do Pisa não tem isso, é uma amostra muito pequena e que não tem nenhuma devolutiva nem para o aluno, nem para a escola, nem para o diretor e nem para o secretário”.

Weintraub

Logo após a divulgação dos dados do Pisa 2018, o atual ministro da Educação, Abraham Weintraub, tratou de se esquivar das críticas e acusou o PT de ser responsável pelo péssimo desempenho do Brasil, que aparece entre os 20 piores países no ranking.

Mercadante rebateu as críticas lembrando que os governos do PT se encerraram há bastante tempo e ressaltou que a atual condução do MEC, classificada por ele como “caótica”, não propõe nada para a Educação.

“O atual governo não criou uma iniciativa em termos de formação docente, não tem nenhum programa de apoio ao Ensino Médio”, disse. O ex-ministro afirmou ainda que o atual governo é retrógrado e, por isso, barra assuntos primordiais em ambientes escolares. “Temos um governo e uma equipe no MEC que não tem nenhum apreço pela Educação. Eles têm uma visão obscurantista do mundo, uma visão retrógrada, então fica proibido falar de ideologia de gênero, por exemplo. Você tem que tratar essa questão, há bullying com as crianças que são gays ou lésbicas, são 8 mil jovens por dia que vão chorando para casa porque não sabem lidar com sua sexualidade, este é um tema para o diretor e professores, tem que ter uma formação, criar uma cultura de respeito, você tem que entender, acolher. Estou dando um exemplo, mas não é o único”.

“Estamos vivendo um quadro muito difícil, um governo obscurantista, que não entende que Educação é política de Estado, um ministro que não tem equipe, completamente caótico”, concluiu.

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