Ministério da Saúde agora incentiva eletrochoques e crianças em manicômios

Nota técnica do Ministério da Saúde publicada esta semana muda drasticamente os rumos da política de saúde mental no país; o texto do documento passa a incentivar a compra de equipamentos de eletroconvulsoterapia, conhecidos como eletrochoques, determina que a abstinência forçada seja regra para o tratamento de dependentes químicos e estimula a internação de crianças em hospitais psiquiátricos; o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse desconhecer o teor do documento, que vem sendo alvo de críticas dos especialistas do setor

Ministério da Saúde agora incentiva eletrochoques e crianças em manicômios
Ministério da Saúde agora incentiva eletrochoques e crianças em manicômios

247 - Uma nota técnica do Ministério da Saúde publicada esta semana muda drasticamente os rumos da política de tratamento referente à saúde mental no país. O texto do documento passa a incentivar a compra de equipamentos de eletroconvulsoterapia, conhecidos como eletrochoques, determina que a abstinência forçada seja regra para o tratamento de dependentes químicos e estimula a internação de crianças em hospitais psiquiátricos. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse desconhecer o teor do documento, que vem sendo alvo de críticas dos especialistas.

"Sem dúvida, são polêmicas (as medidas)", disse Mandetta ao jornal O Estado de S. Paulo ao saber das diretrizes. O responsável pelo documento é o coordenador geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde, Quirino Cordeiro Júnior. Ele foi nomeado para o cargo no governo Temer. Sua nomeação foi objeto de protestos de dezenas de entidades envolvidas com os temas da saúde mental em todo o país. 

Cordeiro Júnior afirmou que o objetivo é orientar gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) sobre as novas diretrizes da política de saúde mental. “Trata-se de retrocesso sem precedentes e uma amostra da preferência por intervenções autoritárias nessa área”, afirma Andrea Gallassi, professora da Universidade de Brasília (UnB). “No documento, a abstinência passa a ser o ponto central. E a redução de danos aparece camuflada.”

 

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