Moro diz que citação 'por telefone' foi registro nos autos das conversas com procuradores

Sergio Moro usa matéria do site O Antagonista que cita um despacho em que ele pede que se Intime o MPF, "com urgência e por telefone" para dizer que as conversas feitas secretamente no Telegram foram registradas nos autos

(Foto: Reuters)

247 - O ministro da Justiça, Sergio Moro, usou as redes sociais para chamar de "fantasia" o conteúdo divulgado pela revista Veja em parceria com o The Intercept, sobre as conversas vazadas dele com os procuradores da Lava Jato.

Apesar de afirmar repetidamente que não se lembra das conversas reveladas pela série de reportagens que mostra a sua atuação parcial nos processos que julgou em conluiu com os procuradores de Curitiba, Moro teve um lapso de memória e endossou uma publicação feita pelo "imparcial" site O Antagonista.

"Que constrangedor para a Veja a matéria abaixo. Será que tem resposta para isso ou vai insistir na fantasia, como na do juíz que favorece à acusação, mas que absolve os acusados no mesmo processo?", disse ele se referindo a matéria do Antagonista, que cita como uma prova "robusta" de que Moro agiu dentro da lei: a indicação de que ele fez contato com o Ministério Público num dos autos do processo.

O Antagonista se refere a esse trecho da reportagem da Veja: “Em 2 de fevereiro de 2016, por exemplo, o juiz escreve a ele: ‘A odebrecht peticionou com aquela questao. Vou abrir prazo de tres dias para vcs se manifestarem’. Dalla­gnol agradece o aviso. Moro se refere ao questionamento da Odebrecht à Justiça da Suíça a respeito do compartilhamento de dados, incluindo extratos bancários, da empresa naquele país. Grosso modo, a empreiteira tentou impedir que o Ministério Público suíço enviasse dados à força-tarefa. Preocupado com a história, Moro pede notícias a Dalla­gnol no dia 3. ‘Quando será a manifestação do mpf?’, pergunta.”

Para desmentir, o site aponta um despacho de Moro, datado do dia 2, em que o juiz pede a manifestação do MPF: “Como a ação penal está em prazo de alegações finais para a Defesa e trata-se de questão prejudicial, suspendo o prazo para alegações finais da Defesa. Oportunamente, devolverei o prazo remanescente. Intime-se o MPF, com urgência e por telefone (já que há acusados presos)". O site grifou o trecho "por telefone".

Para O Antagonista, "por telefone" citado nos autos, é a mesma coisa que por Telegram. Em nenhum dos trechos citadados pelo que o site chamou de "apuração jornalística decente e imparcial", Moro informa nos autos que matinha conversas no Telegram com os procuradores oferecendo provas que depois aceitarei em processos, pedia para recusar delações, revisava peças do MPF e acelerava ou retardava operações, entre outras medidas.

"Num desses contatos, inclusive, o juiz alerta para a urgência do caso, por se tratar de “réu preso”, demonstrando a preocupação com o acusado – o oposto do que alegam Glenn e seus parceiros", diz o site.

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