Morre o comandante Clemente, sucessor de Marighella à frente da ALN

Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz, ou Comandante Guilherme Clemente, faleceu neste sábado (29), em Ribeirão Preto (SP), onde vivia com sua companheira, a historiadora Maria Cláudia Badan Ribeiro, e vinha lutando contra uma doença nos últimos anos.

Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Do Brasil de Fato - Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz, ou Comandante Guilherme Clemente, faleceu neste sábado (29), em Ribeirão Preto (SP), onde vivia com sua companheira, a historiadora Maria Cláudia Badan Ribeiro, e vinha lutando contra uma doença nos últimos anos.

O homem que a ditadura nunca conseguiu capturar foi sucessor de Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira no comando da guerrilha Aliança Libertadora Nacional (ALN) – um dos principais movimentos armados de resistência à ditadura militar brasileira, nas décadas de 1960 e 70.

Carlos Eugênio era alagoano, mas cresceu no Rio de Janeiro, tendo estudado no colégio federal Dom Pedro II. Além dos assaltos a bancos para financiar a luta contra a ditadura, um dos episódios mais conhecidos de sua atuação como guerrilheiro foi a execução do industrial dinamarquês Henning Boilesen, em São Paulo (SP), no ano de 1971. Boilesen era conhecido por ser espectador assíduo de sessões de tortura contra presos políticos praticadas nas dependências do Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI).

Perseguido pela ditadura, em 1973, Clemente vai para Havana, Cuba, e de lá segue para a União Soviética e França. No retorno ao Brasil, no início dos anos 1980, passa a atuar como professor de música. Escreveu dois livros – Viagem à luta armada (1996) e Nas trilhas da ALN (1997) – e foi tema de um documentário, dirigido por Isa Albuquerque – Codinome Clemente (2018). Foi filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), de Miguel Arraes.

“O quadro é irreversível. Ele se vai como viveu a vida: com coragem. Obrigada a todos que por todo lado nos deram força e nos reconfortaram. Vou viver a passagem dele assim, segurando a mão dele e sussurrando bem em seus ouvidos todo amor que tenho por ele”, disse sua companheira Maria Cláudia, na mensagem sobre a partida de Carlos Eugênio, vítima de falência respiratória.

O conhecimento liberta. Saiba mais

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247