Mourão confronta Bolsonaro e apoia crítica dos europeus sobre Amazônia

"Uma forma de nos atacar é a questão da Amazônia. Tem coisas ali que tem total verdade no que tem sido dito: houve aumento do desmatamento", afirmou o vice-presidente Hamilton Mourão. A declaração é um balde de água fria em cima de Jair Bolsonaro. Devastação aumenta a possibilidade de boicote a produtos brasileiros e desgasta o País no exterior

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247 - O vice-presidente Hamilton Mourão contrariou Jair Bolsonaro confirmando o aumento do desmatamento no Brasil. Nos oito meses até agosto, o desmatamento da Amazônia aumentou 92%, para 6.404,8 quilômetros quadrados (2.472,91 milhas quadradas), de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

"Uma forma de nos atacar é a questão da Amazônia. Tem coisas ali que tem total verdade no que tem sido dito: houve aumento do desmatamento. Não compete a nós impedir que isso ocorra. Mas, ao mesmo tempo existem aquelas inverdades, como a Amazônia é o pulmão do mundo e sabemos que não é, que o pulmão do mundo são os oceanos", disse Mourão após participar de evento com líderes empresariais em São Paulo.

Bolsonaro demitiu este ano Ricardo Galvão do Inpe. O agora ex-dirigente criticava o aumento de devastação, o que irritou o atual ocupante do Planalto. Por causa do desmatamento, a Alemanha anunciou a suspensão de quase R$ 155 milhões destinados a projetos de preservação da Amazônia no Brasil e a Noruega anunciou o bloqueio de cerca de R$ 133 milhões, destinados ao Fundo Amazônia.

A possibilidade de boicote a produtos brasileiros aumentou com a devastação acelerada. Ao jornal Valor Econômico, no mês passado, o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), o goiano Marcello Brito, disse acreditar nesta possibilidade. "É questão de tempo que parem de comprar do Brasil", afirmou.

Economia

Na mesma entrevista, Mourão defendeu o programa de privatização radical do ministro Paulo Guedes (Economia), alinhando-se à política econômica da ala ultraliberal do governo.

"Este é o problema das estatais. A ideia sempre é a melhor possível, mas na hora da execução acaba havendo aquele, são características infelizmente nossas, o fisiologismo, o compadrio, que acabam prevalecendo. Eu vejo que hoje tudo tem condição de ser privatizado".

A aposta do atual governo de deixar nas mãos da iniciativa privada a geração de empregos e a retomada do crescimento não tem dado resultado. As estimativas de expansão do PIB (Produto Interno Bruto) para 2019 continuam abaixo de 1% e o País amarga uma taxa de desempregado de 11,8% no trimestre finalizado em julho deste ano, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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