MPF apura troca de comando em investigação de esquema de Temer em Santos

O Ministério Público Federal abriu investigação sobre troca da chefia da Polícia Federal em Santos em um momento em que a instituição se aprofunda no caso do esquema de influência de Michel Temer no porto da cidade; transferência de delegado aconteceu logo após reunião sobre o esquema de Temer, que é influência conhecida no terminal há décadas; o emedebista é investigado pelo favorecimento da operadora de terminais Rodrimar, por meio da edição do Decreto dos Portos; em troca, haveria pagamento de propina;  negócio teria sido intermediado pelo ex-assessor da Presidência, Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), o mesmo filmado com uma mala com R$ 500 mil de propina da JBS

MPF apura troca de comando em investigação de esquema de Temer em Santos
MPF apura troca de comando em investigação de esquema de Temer em Santos

247 -O procurador da República Roberto Farah Torres, do Ministério Público Federal em Santos, enviou na última sexta-feira (19) um ofício ao superintendente da Polícia Federal em São Paulo, Disney Rosseti, solicitando informações sobre os critérios que serão adotados para a substituição no comando da Delegacia da PF na cidade litorânea, uma das maiores do país.

Em dezembro, a direção da Polícia Federal retirou da chefia santista o delegado Júlio César Baida Filho, transferido para o Rio de Janeiro. Seu substituto ainda não foi definido. Mudança ocorre no momento em que avançam investigações sobre um esquema de corrupção no porto de Santos.

A transferência de Baida Filho aconteceu após uma reunião com cerca de dez investigadores na sede da Polícia Federal santista. No encontro havia, além de delegados, procuradores da República e auditores da Controladoria-Geral da União, do Tribunal de Contas da União e da Receita Federal. A pauta era justamente irregularidades em contratos de empresas que atuam na área portuária.

O porto de Santos é área tradicional de influência de Michel Temer. Ele é investigado pelo suposto favorecimento da operadora de terminais Rodrimar, por meio da edição do Decreto dos Portos. Em troca, haveria pagamento de propina. O negócio teria sido intermediado pelo ex-assessor da Presidência, Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), o mesmo filmado com uma mala com R$ 500 mil de propina da JBS.

Favorito a assumir é o delegado José Roberto Sagrado Da Hora. Ele já tinha sido apontado como substituto de Baida Filho quando foi anunciada a troca de comando, mas servidores de órgãos envolvidos nas investigações no porto de Santos protestaram, alegando que a indicação de Da Hora agradaria a políticos ligados a Michel Temer. A nomeação, então, não aconteceu.

O procurador-geral da República em São Paulo, Thiago Lacerda Nobre, demonstrou preocupação com a mudança. "A atual chefia realiza um trabalho sério, primoroso e não conhecemos as razões para que esse brilhante trabalho seja interrompido."

As informações são de reportagem de Walter Santos na Folha de S.Paulo

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