Não é mais possível deter mais de 23% da frota de ônibus no DF

Governador Agnelo Queiroz assina quatro decretos alterando o sistema pblico de transporte; 100% da frota ser licitada, exceto as linhas exploradas por cooperativas e pela TCB; o fim do domnio de Vagner Canhedo e Nen Constatino

Não é mais possível deter mais de 23% da frota de ônibus no DF
Não é mais possível deter mais de 23% da frota de ônibus no DF (Foto: U. Dettmar/ABr, Andressa Anholete/247 e Antônio Cruz/ABr)

Andressa Anholete _Brasília 247 – Na tarde desta sexta-feira (2) o governador Agnelo Queiroz assinou quatro decretos que alteram profundamente o sistema de transporte no DF. Quase toda a frota de ônibus do Distrito Federal será licitada, exceto as linhas exploradas por cooperativas e pela Sociedade de Transportes Coletivos de Brasília (TCB). As propostas estão previstas para serem abertas em 10 de julho e o resultado da concorrência divulgado em 10 de julho.

O novo sistema de transporte vai trabalhar com troncos e bacias. Serão cinco bacias que foram divididas considerando o faturamento e número de passageiros; deste modo cada uma terá entre 18 e 23% da frota. As empresas ou consórcios interessados podem concorrer a todas mas só poderão administrar uma delas.

Entre as principais linhas que cortam o DF estão as das mal faladas empresas comandadas por Vagner Canhedo (Viplan) e Nenê Constantino (Pioneira e Planeta). Nenhuma delas poderá participar da concorrência porque possuem dívidas junto ao INSS.

A esperança da população é que com a licitação não seja mais necessário andar em ônibus velhos, com pneus carecas e poltronas quebradas, e muito menos ficar meia hora no ponto de ônibus aguardando o transporte público.

Leia na íntegra a matéria do 247 publicada na noite de quita-feira (2) sobre a licitação do sistema de transporte de Brasília:

Marco Damiani _247 – A realidade de ônibus com quase vinte anos de uso – quando a lei determina o máximo de sete anos --, pneus carecas e estruturas perfuradas está com os dias contados. Nesta sexta-feira 2, o governo do Distrito Federal lança oficialmente o edital de licitação para a renovação de 75% das linhas de ônibus de Brasília. Feita por determinação pessoal do governador Agnelo Queiroz , a concorrência, cujos termos, até esta altura (00h49), estão guardados a sete chaves, acerta em cheio em dois dos mais conhecidos – e polêmicos – empresários da capital: o ex-dono da extinta Vasp, Vagner Canhedo, e o presidente do Conselho de Administração da Gol Linhas Aéreas, Nenê Constantino. Este último, pela acusação de ter mandado matar o próprio cunhado, vive, no momento, em prisão domiciliar em São Paulo.

A dupla controla, com estilos bem semelhantes, as três maiores operadoras de transporte coletivo da capital. Tanto a Viplan, de Canhedo, como a Pioneira e a Planeta, de Constantino, são famosas pelo descaso com os passageiros e, também, com seus funcionários. Nenhuma delas poderá participar da concorrência, em razão de dívidas acumuladas com o INSS, pelo não recolhimento de direitos previdenciários. Fica certo, assim, que, necessariamente, o sistema de transporte coletivo de Brasília irá melhorar – as regras da licitação estabelecem a colocação de ônibus novos nas ruas e um amplo redesenho nas rotas. Haverá, a partir dessa renovação, a criação de ‘bacias’ para a circulação dos coletivos, de modo a que viagens longas e diretas sejam substituídas por outras mais rápidas e curtas. A vantagem prevista é o incremento da periodicidade dos ônibus nos pontos, com a multiplicação de oportunidades para o deslocamento dos passageiros.

A concorrência aberta pelo GDF deve atrair para Brasília algumas das maiores companhias do setor no Brasil. Mais do que isso, a disputa irá acabar com uma situação de precariedade que, na prática, perdura desde 1951, quando o atual modelo foi concebido – e o Distrito Federal nem havia sequer sido desenhado pela dupla Oscar Niemeyer e Lucio Costa. O que ocorreu foi que a nova cidade herdou o modelo que prevalecia nesta região de Goiás. Esperto, ao ver as possibilidades de crescimento da capital, Constantino comprou uma das empresas que detinha a concessão, a Alvorada, e passou a operar em Brasília. Pouco mais tarde, no correr da década de 60, Canhedo encontrou o seu filão no mesmo mercado. Desde então, eles se tornaram os barões – ou tubarões – dos ônibus da capital da República, oferecendo um dos serviços mais criticados pelos usuários.

“O sistema de transporte coletivo de Brasília está todo errado”, resume o deputado distrital Chico Vigilante, do PT. “A concorrência tem o mérito de acabar com uma situação de descaso que já perdura por cinco décadas e um sistema que nunca foi bom nem para a cidade, nem para o passageiro, nem para os trabalhadores do setor”. Vigilante lembra que, em razão das péssimas condições de trabalho no duopólio Constantino-Canhedo, o índice de alcoolismo entre motoristas, cobradores e mecânicos é alto. Os acidentes com coletivos são comuns. No mês passado, dois ônibus colidiram em Águas Claras, num acidente provocado, suspeita-se, por pneus carecas e freios precários que deixou mais de uma dezena de feridos. Uma cena de guerra que, no futuro breve, não deverá mais ser comum.

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