'Não sei quanto tempo vai durar a noite no Brasil', diz Jean Wyllys

O ex-deputado federal Jean Wyllys, que renunciou ao seu terceiro mandato e deixou o país para viver na Europa em função das constantes ameaças de morte que vinha recebendo desde a eleição de Jair Bolsonaro, disse que presidente eleito o transformou em uma "espécie de inimigo" e que não sabe quando deverá voltar ao país:"não sei quanto tempo vou ficar fora porque não sei quanto tempo vai durar a noite no Brasil", disse

'Não sei quanto tempo vai durar a noite no Brasil', diz Jean Wyllys
'Não sei quanto tempo vai durar a noite no Brasil', diz Jean Wyllys

247 - O ex-deputado federal Jean Wyllys, que renunciou ao seu terceiro mandato e deixou o país para viver na Europa em função das constantes ameaças de morte que vinha recebendo desde a eleição de Jair Bolsonaro, disse que presidente eleito o transformou em uma "espécie de inimigo". O governo fez "uma campanha difamatória contra mim com fake news, calúnias que tornavam os espaços todos vulneráveis", destacou Wyllys em entrevista à AFP em Paris. "Jair Bolsonaro me tornou uma espécie de inimigo, mas não era adversário político, era inimigo dele", completou.

Segundo ele, também pesou na decisão de renunciar ao mandato e de deixar o país o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), ocorrido há um ano no Rio de Janeiro. "Depois do assassinato Marielle Franco, o cálculo de risco apontou que eu corria risco de minha vida", contou Wyllys. "O então presidente da Câmara destacou uma escolta para me acompanhar de casa pro trabalho e do trabalho para casa. A partir daí, passei a viver em uma espécie de cárcere privado", relatou. "Foi nesse momento que me dei conta que eu não poderia assumir meu novo mandato", disse.

Desde que deixou o Brasil, em janeiro, Wyllys tem se dividido entre Barcelona e Berlim. A opção por viver em definitivo na capital alemã veio há poucos dias. "Berlim me escolheu", disse. O ex-parlamentar foi contratado pela fundação alemã Rosa Luxemburgo e pela Open Society Foundation, para fazer um doutorado. Segundo ele, apesar da distância, é possível continuar atuando contra o governo Bolsonaro. "É possível fazer política e é possível viver livremente como estou vivendo agora e sem risco de vida", afirmou.

Indagado sobre quanto tempo pretende ficar em solo europeu, o ex-parlamentar foi enfático: "não sei quanto tempo vou ficar fora porque não sei quanto tempo vai durar a noite no Brasil".

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