Negros e pardos são maioria nas eleições de 2020

Números divulgados pelo TSE mostram que candidatos e candidatas negros são 49,87% dos que concorrem em 2020. É o maior segmento de candidatos e candidatas. Movimento Bancada Preta é pretende atingir quase 3 milhões de pessoas na campanha

(Foto: Divulgação)
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247 - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou em todo o país cerca de 545 mil pedidos de registro de candidatura nas eleições municipais de 2020 com a maioria de candidatos que se declaram pretos ou pardos, sendo 49,87% do total e os brancos, 47,77%. Na corrida eleitoral de 2016 estes candidatos (pretos e pardos) mesmo somados representaram 47,76% dos inscritos contra 51,45% dos candidatos brancos. 

O fato é comemorado pela Bancada Preta, movimento que traz tecnologia de transformação social e visa combater as desigualdades sociais e o racismo estrutural no Brasil. O movimento surge com a missão de desenvolver uma tecnologia social que coloque em protagonismo a maioria da população brasileira. Uma das premissas do movimento é que a prosperidade do país depende do futuro que for dado a estas famílias que hoje representam 56% da nação. 

A Bancada Preta atua por meio da comunicação e inserção de agentes de mudança com a participação popular na implementação de propostas que defendam os interesses de uma maioria que vive em situação de vulnerabilidade. Construir pontes, se apropriar das tecnologias midiáticas, qualificar a comunicação de impacto e dar voz para as periferias são a missão da iniciativa que estabeleceu como meta para 2020 apoiar e dar potência para 11 candidaturas pretas, além de aumentar a representatividade.

 Ainda, outro, dentre os objetivos centrais do movimento é dar luz às pautas relacionadas à negritude como o combate ao racismo estrutural, ambiental, recreativo e religioso. O movimento, que une lideranças negras e sociedade civil por uma política preta, traz à luz o debate e a construção de uma estrutura de cidade que seja antirracista, antimisógina e antiLGBTIQ+fóbica. Idealizada inicialmente pela Rede Quilombação, Frente Favela Brasil, Nova Frente Negra Brasileira e Educafro, as instituições já unem, à plataforma, outras entidades de grande peso no movimento negro como o Movimento Negro Unificado, Reafro e Diálogos Afrurbanos. 

A Bancada Preta possui projetos para as eleições de 2020 nas cidades paulistas de Campinas, Francisco Morato e São Paulo; pretende amplificar sua força em nível nacional até 2022. 

Segundo professor Dennis Oliveira da Rede Quilombação, o fato de ter mais candidatos que se declaram negros ou pardos é fundamental para a transformação no país. “O chamado deste ano tem o objetivo de desenvolver uma série de tecnologias.” 

Comenta Oliveira. Entre as propostas e projetos da Bancada Preta está o desenvolvimento de conteúdos digitais para o portal da causa, programa de variedades para TV Pangéia (Youtube), Podcast na bancada, plataforma de e-commerce, cursos, além de eventos ao vivo. Tudo isso para estimular a construção de narrativas e ações para o combate ao  etnocídio, defesa das casas de matrizes africanas, culturas e patrimônios materiais e imateriais de todas as rodas de cultura como a umbanda, candomblé, capoeira e o samba, por exemplo. 

Outro objetivo é erradicar o epistemicídio que é responsável por negar a capacidade dos povos não brancos de produzir saber, defender os direitos à vida e a memória da população preta por meio da ampliação das políticas públicas de estado. Também faz parte da pauta da Bancada Preta promover o trabalho digno com paridade de gêneros, igualdade salarial, acesso aos postos de visibilidade e prestígio. 

Para o coordenador Estadual do Frente Favela Brasil, Vinicius Pedro, o desenvolvimento de uma tecnologia de comunicação é essencial para amplificar as candidatas, candidatos, ativistas e instituições, que compõem a bancada preta. “Nosso compromisso fundamental é aumentar a atuação em territórios constituintes das cidades, caracterizadas por alguns desafios enfrentados por toda a comunidade preta e periférica." Afirma Vinicius. A população preta tem acesso muito reduzido à educação, direitos à propriedade, saúde básica e desenvolvimento socioeconômico. 

São estas questões e muitas outras mais que a Bancada Preta quer desconstruir com suas ações. Quem quiser ajudar ou fazer parte dos debates promovidos pelo movimento pode acessar e seguir às redes sociais vinculadas, amplificar a ideologia com as próprias redes por meio de posts, textos, marcações, inserção da logo no perfil, usar a camiseta da campanha, realizar e promover doações de apoio à bancada como puder. 

A Bancada Preta pretende alcançar mais de 2 milhões 750 mil de pessoas durante a campanha, convertendo e fidelizando cerca 270 mil pessoas em prol da causa. Para acompanhar todos os projetos siga @bancadapreta em todas as plataformas digitais.

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