No Japão, sindicalistas da CUT denunciam prisão política de Lula

Reunidos em Tóquio, sindicalistas do Brasil e de países da América Latina, ao lado de sindicalistas japoneses, manifestaram solidariedade ao ex-presidente; de acordo com o secretário de Relações Internacionais da CUT, Antonio Lisboa, é impossível vencer um golpe sem apoio internacional; "Lula representa um símbolo da emancipação da classe trabalhadora"

No Japão, sindicalistas da CUT denunciam prisão política de Lula
No Japão, sindicalistas da CUT denunciam prisão política de Lula (Foto: Esq.: Reprodução / Dir.: Stuckert)

247 - Reunidos desde o dia 13 de julho em Tóquio, no Japão, sindicalistas do Brasil e de países da América Latina, ao lado de representantes sindicais japoneses, manifestaram solidariedade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba (PR) desde o dia 7 de abril. Segundo a Central Única dos Trabalhadores CUT), em todas as atividades do intercâmbio internacional, organizado pela Japan International Labour Fundation (Jilaf), fundação ligada à Rengo, a Confederação Japonesa de Sindicatos, a palavra de ordem é Lula livre. O encontro vai até o dia 20 deste mês.

De acordo com o secretário de Relações Internacionais da CUT, Antonio Lisboa, a perseguição contra o ex-presidente é sentida mundo afora pela classe trabalhadora e por organizações progressistas de diversos países. “Existe um sentimento coletivo de profunda injustiça. Lula hoje está preso porque querem evitar que ele volte a governar o país, já que ele representa um caminho diferente do que outros países do mundo têm tomado, de maior concentração de renda, desigualdade, exploração e avanço do neoliberalismo”, ressalta o dirigente, que nos últimos seis meses participou de atividades nos EUA, Inglaterra, Suíça, Bélgica e Portugal denunciando o golpe no Brasil. Os relatos foram publicados pela CUT.

Na avaliação de Lisboa, é impossível vencer um golpe, seja ele militar ou judicial, como o que aconteceu no Brasil, se não houver apoio internacional. Ele exemplifica sua observação com a prisão, na África do Sul, de Nelson Mandela, também vítima de lawfare, que é a perseguição e manipulação dos fatos por meio de instrumentos legais. “A nossa luta é pela liberdade de Lula e para que ele possa concorrer às eleições presidenciais, mas, ao mesmo tempo, é em defesa da democracia. Lula representa um símbolo da emancipação da classe trabalhadora. Ele é um antídoto contra a elite tradicional brasileira, que é preguiçosa, mesquinha e aproveitadora”, conclui Lisboa. 

A secretária de Comunicação da CUT São Paulo, Adriana Magalhães, que também participa do intercâmbio, reforça que a denúncia sobre a prisão política de Lula e os retrocessos vividos pela classe trabalhadora brasileira pós-golpe 2016 tem tomado conta dos debates. “Denunciamos a todo o momento o golpe no Brasil, o desmonte das empresas públicas, das políticas trabalhistas e sociais e a taxa de desemprego que só aumenta. E falamos sobre a importância das eleições em 2018 para que possamos revogar a nova legislação trabalhista e retomar o projeto desenvolvimentista no Brasil. Sabemos o projeto de país que queremos”, afirma.

Atualmente, Lula, mesmo preso, lidera as pesquisas eleitorais. O primeiro levantamento presidencial do Ibope do ano, contratada pela CNI e divulgada no final do mês passado, apontou o ex-presidente em primeiro lugar com 33% dos votos, mais que o dobro do segundo colocado, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), com 15%, seguido pela ex-senadora Marina Silva, da Rede (7%).

Outro levantamento, do Instituto Paraná Pesquisas, divulgado n dia 8 de maio, apontou que, para 66% dos brasileiros, o Brasil "permaneceu igual" depois da prisão de Lula; e para 22,3%, o País "piorou". Somente 9% acreditam que o Brasil melhorou depois que Lula foi detido. A pesquisa foi feita com 2.002 eleitores em 154 municípios de 26 Estados e Distrito Federal entre os dias 27 de abril e 2 de maio.

*Com informações da CUT

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