'O futuro a Deus pertence', diz Vélez sobre possível demissão

O ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez é um dos principais focos de crise e instabilidade do governo Bolsonaro; de todos os ministérios da Esplanada, o seu é o mais conflagrado, com vaivéns de decisões confusas, sucessivas nomeações e demissões, uma verdadeira guerra interna entre militares e discípulos de Olavo de Carvalho, que disputam o poder; Vélez sabe que seu cargo está por um fio: "O futuro a Deus pertence, diz"

'O futuro a Deus pertence', diz Vélez sobre possível demissão
'O futuro a Deus pertence', diz Vélez sobre possível demissão (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

247 - O ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez é um dos principais focos de crise e instabilidade do governo Bolsonaro. De todos os ministérios da Esplanada, o seu é o mais conflagrado, com vaivéns de decisões confusas, sucessivas nomeações e demissões. Uma verdadeira guerra interna entre militares e discípulos de Olavo de Carvalho, que disputam o poder. Vélez sabe que seu cargo está por um fio. "O futuro a Deus pertence, diz".

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Vélez tenta amenizar a enquadrada que recebeu da deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP) na semana passada durante audiência na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados: "Eu valorizei muito a figura da deputada Tabata. Uma jovem deputada, idealista, que se compromete com a educação, e isso é muito importante. Eu quero inclusive ter a oportunidade de recebê-la aqui no ministério para dialogar com ela acerca dos nossos problemas educacionais".

Desconfortável diante da afirmação do próprio presidente Bolsonaro de que "as coisas não estão dando certo na Educação", Vélez diz que tenta "afinar as decisões com as políticas traçadas pelo presidente".

Confrontado com as excessivas demissões no primeiro escalão do Ministério, e a luta entre grupos, Vélez também disfarça. Diz que "os grupos de pressão políticas são normais", tentando negar o óbvio - a briga entre os seguidores do astrólogo e guru do clã Bolsonaro, Olavo de Carvalho e militares, afirmando que "essa briga não existe".

O ministro da Educação chama a intervenção dos militares e a tutela destes no MEC de "colaboração fraterna e efetiva" e nega que Bolsonaro já tenha vetado alguma decisão sua quanto a nomeações e demissões.

Ricardo Vélez fala do seu relacionamento com Olavo de Carvalho: "Eu conheci o Olavo de Carvalho há mais de 20 anos, porque ele é um pensador que explicita os conceitos fundamentais da ala conservadora da sociedade brasileira. Eu sou um estudioso dos ideais. Tive contato com ele algumas vezes no Rio, mas diria que foram contatos circunstanciais. Ele me indicou para o ministério e meu nome terminou sendo apoiado por outros segmentos da sociedade brasileira".

O ministro não esconde o seu alinhamento com a ditadura militar: "A história brasileira mostra que o 31 de março de 1964 foi uma decisão soberana da sociedade brasileira [...]. Não enxergo isso como ditadura. Foi um regime democrático de força, porque era necessário naquele momento.

Vélez reitera o que já tinha dito em outras ocasiões: o MEC promoverá uma revisão dos livros didáticos e reintroduzirá o ensino da disciplina Educação Moral e Cívica.

Leia a íntegra da entrevista aos jornalistas Fabio Murakawa e Carla Araújo

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